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25 de abril de 2011

37 anos depois...




temos de os regar e adubar!
[e ainda assim, temo o pior...]

15 de março de 2011

Os dias de ...


O marketing para os dias especiais disto e daquilo é tramado. Quem não reúne as condições, fica perfeitamente descontextualizado senão mesmo à beira do suicídio, face ao bombardeamento dos produtos que nos remetem para a norma, para o cliente-alvo padrão.

Não ter família, à mão, no Natal é fatal, não ter um(a) namorado(a) a 14 de Fevereiro é dramático, não ter mãe no primeiro domingo de Maio é uma tristeza e não ter pai a 19 de Março é uma valente chatice. E isso, eu sei bem como é: desde que me lembro de ser gente que não tenho pai.

Em pequena, quando na escola todas as crianças faziam, com maior ou menor entusiasmo, o presente para o seu paizinho, eu limitava-me a fazer qualquer coisa mal enjorcada, para depois deitar para o lixo, sem nunca ninguém ter visto a obra. Depois de alguns anos de explicações ou omissões, e face à comiseração colectiva do “coitadinha, filha de pais divorciados” seguida de um complacente encolher de ombros e abanar de cabeça do interlocutor adulto, resolvi, já no inicio da adolescência, cortar o mal pela raiz e dizer que o dito tinha morrido para me deixarem de chatear com aquelas mariquices [perante a morte as pessoas tendem a ter mais respeito, ficam inibidas e o “coitadinha” é mais contido, emocionalmente diferente, já não era a criança voluntariamente abandonada, mas aquela a quem a morte tinha precocemente roubado o pai].
Não é que eu não tivesse a quem dar, tinha, tinha e tenho, um padrasto espectacular, mas não era meu pai, e não há o dia do padrasto.
E eu, nestas coisas sou "pão, pão, queijo, queijo": não me venham cá dizer que um companheiro é um marido, que os enteados são filhos, que as sogras também são mães, ou que os padrastos ou as madrastas são pais. Não são, são exactamente aquilo que são: companheiros, enteados, sogras, madrastas e padrastos. Bons ou maus, cada um tem o seu papel e o seu lugar, e a vida é bem mais simples se ninguém quiser usurpar o lugar de ninguém.

Assim, porque nunca tive pai, não faço a mínima ideia do que é ter um. E sem esta experiência o 19 de Março é apenas o dia que me lembra que há um sentimento que não sei sentir, uma relação que não vivi e uma série de emoções que nunca experimentei.

Por isso, caros senhores do marketing não me chateiem com a treta do dia do pai, não me invadam com sms, mails, correspondência a anunciar promoções que versam o tema pois não estou minimamente interessada, não sou uma cliente-alvo!
Não tenho ninguém a quem ligar, não tenho presentes para dar, nem refeições a pagar.

Irra, que estou cansada de apagar mensagens a oferecer coisas de que não preciso, nem nunca vou precisar!

6 de março de 2010

Este blog não está nada bem!!!


Não, não está grávido! Apenas almoçou qualquer coisa que não passaria no crivo da ASAE!
Quem lhe põe a mão na testa?

27 de janeiro de 2010

Morre lentamente....

Morre lentamente quem não viaja,
quem não lê,
quem não ouve música,
quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere O "preto no branco"
e os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
justamente as que resgatam brilho nos olhos,
sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da Chuva incessante,
desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!

Pablo Neruda

Obrigado A.L. pela mensagem de correio electrónico com este poema.

27 de fevereiro de 2009

Nutícias (e que não passe por aqui nenhum PSP que ao abrigo da Lei Nº 254/76 me encerre a xafarica )



A mulher que recentemente deu à luz oito gémeos na Califórnia é hoje disputada por duas sociedades rivais de produção de filmes pornográficos, uma das quais lhe propôs um milhão de dólares por um papel.
Nadya Suleyman, 33 anos e solteira, está já no centro de uma polémica mediática e médica por ter conseguido que lhe fossem implantado oito embriões numa altura em que não trabalhava e já tinha seis filhos, também eles concebidos por inseminação artificial.
A sociedade Vivid Entertainment, com sede em Los Angeles e primeiro produtor mundial de filmes X, anunciou ter oferecido à mãe dos óctuplos um milhão de dólares e um ano de seguro de saúde se ela aceitar desempenhar o papel principal num filme pornográfico. «Nadya suscita um interesse excepcional e nós podemos ajudá-la a tirar partido disso, fornecendo a sua conta no banco», explicou o co-presidente da Vivid, Steven Hirsch.
In Diário Digital


Mantenho a boca aberta de espanto.
Ainda interiorizava a primeira etapa do processo, isto de se querer ter oito filhos, depois de já se ter seis, estando desempregada e tal e tal….
Eis que chego à parte do convite para os filmes porno. È que sem qualquer julgamento de valor acerca da industria, e por muito másinhas que sejam as fitas, como é que depois de se ter 14 filhos uma gaja tem corpo para aquilo.
Sim, porque basta ter um único filho e lá se vai o abdómen firme, e instala-se a celulite no rabo e sai uma varizita na perninha e as mamocas tornam-se um bom exemplo da lei da gravidade, e é preciso muito creme anti-estria e muita dieta e muito ginásio e muitas abdominais, e até para as mais abonadas uns dias de SPA e uma ou outra lipoaspiração nas zonas problemáticas, para se voltar a ficar aceitável, quando mais depois de ter tanta filharada e em apenas duas levas.

Ou eu não percebo nada do imaginário sexual masculino ou a empresa dos ditos filmes vai ficar a perder dinheiro.

13 de junho de 2008

Obrigada!

Obrigada Irlanda.
Eu, que acredito no projecto europeu, não gostei de não ser consultada sobre o Tratado. Por isso, e pelas dores de cabeça que provocaste a gajos que se julgam donos da Europa.
Muito, muito obrigada.

5 de junho de 2008

Ele e Ela

O meu coração sempre balançou entre ele e ela, entre ela e ele. Ambos pertencem a grupos socialmente desvalorizados: ele, o afro-americano, que tem um sonho, o de governar os EUA (e o Mundo) xenófobos e racistas e afirmar uma nova cultura e uma outra raça. Ela, a mulher, que engoliu o seu orgulho pessoal para prosseguir o seu próprio caminho para o poder e afirmar um outro modo de olhar a existência pessoal e colectiva de um país (e do Mundo) discriminador. Hoje, quando ela não conseguiu continuar a resistir, fiquei triste, não sei se por ela perder ou por achar que o sonho dele dificilmente vai vingar.

2 de junho de 2008

Os cidadões (...)

Dia 30 de Maio, 9.35h.
Sessão de Abertura Oficial do Congresso Internacional de Inovação Social.
Antecipo uma magnífica jornada de trabalho mas, eis que o senhor Presidente da República quando reflecte sobre a urgência da anunciada revolução social, no meio do seu discurso se refere aos cidadãos deste país como "os cidadões" (nem a sua Maria sentada na primeira fila, lhe valeu).
Fiquei iluminada, agora começo a perceber a incompreensível razão da necessidade do acordo ortográfico.... foi preciso estar aqui, para descobrir...

5 de maio de 2008

O parque infantil do Jardim da Estrela

O Jardim da Estrela tinha um parque infantil com brinquedos velhos e areia sebenta, (onde o meu olhar de mãe via colónias de micróbios em êxtase), que se infiltrava nos pés, na roupa e na paciência. E assim, ficámos contentes com as anunciadas obras de requalificação. Começámos a ver instalar, devagarinho, os novos equipamentos, um leão, uma girafa, baloiços novos e mais uns quantos divertimentos. Esperámos longos meses pela conclusão das obras. Mas, este fim-de-semana, quando voltamos ao parque, o A. ficou muito triste e não quis ir brincar e eu fiquei zangada, ou melhor furiosa. O novo parque infantil já abriu, com os novos brinquedos mas, pasme-se, com cascalho no chão. Parece que a obrigação comunitária de colocar pavimento anti-choque nas zonas de brincadeiras dos mais pequenos se aplica aos colégios e a todas as áreas de lazer que conheço na cidade (Parque dos Índios, Parque da Serafina, Jardim de Campo de Ourique, e tantos outros pequenos equipamentos por aí espalhados), mas no Jardim da Estrela não, com toda a certeza alguém achou que a proximidade da Basílica, de alguma forma, deveria divinamente proteger os nossos meninos de danos maiores…
Cascalho no chão, se não tivesse visto e apalpado com estas mãos que teclam furiosamente, eu não acreditaria!

Resolvi investigar o assunto na Net e entre comunicações de inaugurações e afins da CML descobri esta mensagem do Presidente da Junta de Freguesia da Lapa ao Senhor Vereador Dr. José Sá Fernandes, que aqui reproduzo :

Assunto: Parque Infantil do Jardim da Estrela

Venho por este meio fazer algumas considerações em relação ao Parque Infantil do Jardim da Estrela:

a) É com grande espanto que verifico que o Parque Infantil ainda não está terminado afectando largas centenas de crianças que semanalmente se deslocam a esse espaço.
b) Verifico também com espanto que o n.º de aparelhos colocados no Jardim Infantil é diminuto, não oferecendo, grande oferta, nem dignificando o espaço adjacente.
c) Verifico também com espanto que em vez de terem colocado piso amortecedor e protector de quedas, como exigem as Normas Comunitárias e como estão a ser implementados pela grande maioria da Câmaras, a CML numa atitude economicista voltou a colocar areia ou areão.
d) Que me lembre além da falta de segurança um dos motivos apresentado pela CML, e pela Divisão de Jardins para o encerramento do antigo Parque Infantil, foi a falta de higiene provocada pela a areia existente. Pensava eu e todos os frequentadores do Jardim que a situação ia mudar.
e) Não é em vão que as normas antigas exigiam que estes espaços tinham de ter uma altura mínima de 35cm e uma altura máxima de 60cm e que essa areia devia ser mudada de meio em meio ano e lavada todos os meses, algo que nunca foi feito.
f) Todos nós sabemos se no passado recente a Divisão de Jardins nunca o fez, não é agora que o vai fazer.
g) Não é por acaso que no ultimo ano, a Junta de Freguesia da Lapa, alem de ter lutado por este novo Parque Infantil e de se ter oposto por duas vezes ao seu encerramento e dado que a CML, nunca se preocupou, com a higiene, resolveu contratar uma Empresa de Desbacterização que duas vezes por mês, limpava a areia e eliminava todas as baterias nocivas à saúde, tudo isto sem qualquer apoio da Vereação.
h) Será que voltamos ao mesmo, ou estamos perante uma irresponsabilidade de contenção de custos, sem olhar o bem estar e a segurança dos nossos filhos. Com os melhores cumprimentos.

O Presidente da Junta de Freguesia da Lapa, Nuno Ferro
Publicado em: 16 de Abril de 2008


Eu bem me cheirava que havia politiquice misturada na coisa, mas logo com o Dr. Sá Fernandes, que me parecia um incorruptível homem de bem e se apresenta como um paladino da moral e dos bons costumes. Se já não se pode confiar a segurança dos nossos filhos a um super-homem da ética, então confia-se em quem?

7 de abril de 2008

Os custos das crianças

A discussão sobre o montante das custas judicias dos processos de adopção que ocuparam todo o fim-de-semana, e onde parece o Governo recuo mais uma vez, irritaram-me solenemente. Só mesmo que não tem filhos, nem está preparado para os ter, pode reclamar pagar 500 e tal € pelo processo.·
Caros pretendentes a pais, esse montante é ínfimo relativamente aos custos que vão ter que assegurar quando forem pais de facto, e se não o podem, nem querem pagar então o melhor é desistir já.·Acaso sabem quanto custam as fraldas, e os leites e as papas, e os cremes para as borbulhinhas do rabiosque? E as consultas mensais ao pediatra (que é bom que seja privado para nos dar o número do telemóvel e nos esclarecer as nossas angustias de mães e pais a qualquer hora)? E quanto custam as creches (só aí vão os famigerados 500 € tão discutidos)? E as vacinas que estão fora do plano nacional de vacinação? E quanto custam os brinquedos e as idas à piscina? E quanto custa vestir e calçar aqueles pequenos seres que milagrosamente crescem todas as noites?·
E agora vamos conversar sobre os custos prévios ao nascimento da criança: as consultas mensais do obstetra (que é bom que seja privado para estar disponível quando realmente é preciso), as ecografias, a amniocentese (que o Estado só paga quando temos mais de 40 anos), as meias de descanso, a roupa de grávida, o enxoval do bebé e por fim os colossais custos com a maternidade, que é bom que seja privada para que o médico que nos assistiu durante a gravidez seja o que nos faz o parto, a ainda para que nós, as mães e os filhos, sejamos bem tratados e não se corram riscos desnecessários como anoxias neonatais e outras que tais, porque num público uma cesariana é feita quando existe equipa e quando se ultrapassaram todos os limites de qualidade de vida da mãe e/ou do filho.

Podia continuar uma infindável lista de custos, ainda maiores se a criança tiver deficiência ou uma qualquer doença crónica …·
E depois de tudo isto volto a repetir convictamente, quem não quer ou não pode pagar custas de um processo de adopção, certamente não poderá suportar a despesa de ter um filho… È que não é por acaso que a maioria dos casais só tem um, é porque de facto ter um filho é um luxo, muito, muito caro!

22 de abril de 2007

Danos Colaterais



3 anos e meio depois, da ultima vez, estou a sair do Coliseu.
Mas estranhamente faz sol, são 12.30h, de Domingo.
Da última vez arrastava comigo, na noite, uma barriga, já desconfortável, com um rapazinho aquático lá dentro. Hoje, tive a meu lado um puto saltitante a vibrar com o Ruca,o Riscas e a Rosita, a Clementina, o Luís e …sei lá que mais…
Ponho os óculos de sol, e enquanto caminho para o carro tento relembrar todos os espectáculos que vi naquela sala. Magicamente, oiço a inconfundível voz do José Nuno Martins a anunciar “22.00 horas – Coliseu dos Recreios de Lisboa apresenta…”. E apresentou tantos: (certamente não os apresentou todos, os últimos já não, nem sei se os vi todos no Coliseu, porque as memórias dos anos 80, 90 e principio de 00 já vão longe, sei também que alguns tiveram direito a mais do que um espetáculo) Chico Buarque, Toquinho, Alceu Valença, Maria Betânia, Gilberto Gil, Gal Costa, Simone, Trovante, Zé Mário Branco, o último do Zeca, Ney Matogrosso, Sérgio Godinho, Fausto, Represas,Vitorino, Janita, Rui Veloso, Clã, Abrunhosa e ....o último, o de Carlos do Carmo - este lembro-me bem, porque foi o tal onde já estava com um barrigão imenso e ainda que na plateia o conforto não era muito.
Suspiro! Certifico-me que o puto está bem preso na cadeira e ligo o carro, certa de que nos próximos anos o meu horário do Coliseu será este, o das 11.00 da manhã!
Estes são os verdadeiros danos colaterais da maternidade … porque os outros- as noites mal dormidas, a roupa vomitada, as febres, as pintas, as idas ao hospital, as birras - são danos directos!

Suspiro, mais uma vez... danos directos, danos colaterias...
Nada que um abraço e um beijinho de um certo rapazinho, não cure!