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25 de abril de 2012

25 de abril de 2011

37 anos depois...




temos de os regar e adubar!
[e ainda assim, temo o pior...]

30 de agosto de 2010

Porque o verão também se faz a ler

O verão é feito de coisas que não precisam de nome,
um passeio de automóvel pela costa,
o tempo incalculável de uma presença,
o sofrimento que nos faz contar um por um os peixes do tanque,
e abandoná-los depressa,
às suas voltas escuras...



José Tolentino Mendonça
A Noite Abre Meus Olhos
Assírio & Alvim, 2010

18 de junho de 2010

Saramago


Com o seu olhar acutilante, com a sua voz desalinhada, com as suas palavras delirantes, que me fascinavam, partiu.
Acredito que foi na sua jangada de pedra para uma eterna viagem com o seu elefante, para se cruzar com gentes de todos os nomes e credos e mais uma vez redescobrir a essência do mundo.
Até sempre.

18 de maio de 2010

Há coisas de que gosto I


Eu sou uma romântica.

Que quem se ama possa celebrar o seu amor deixa-me feliz.

9 de fevereiro de 2010

Não quero um problema [2]



Senhores do poder, porque não quero um novo problema (já me chega o das vírgulas), na quinta-feira lá estarei, de branco, nas escadas da AR.

Não é por nada, mas não gosto de ver palavras ,escritas ou ditas, esborratadas a azul!



28 de novembro de 2009

Obrigada José

Não gosto de frio, nem de chuva, nem de dias pequenos.
Diariamente reclamo, maldigo estes dias, pelas saudades que sinto do verão, do calor, das noites longas e da areia nos pés.

Só me concilio com o inverno, nas tardes de fim-de-semana, onde uma manta me aquece como o sol, o sofá se torna na melhor esperguiçadeira de uma praia tropical e um livro me leva para outras dimensões. Hoje, ignorei os afazeres e tive uma dessas tardes sublimes, na companhia fascinante de Caim, o homem que fala de nós, da nossa pequenez e da nossa ignorante fuga aos afectos mais puros.



Obrigada José, por esta tarde.

10 de novembro de 2009

Há 20 anos...

Há 20 anos inundavam-me os olhos gordas lágrimas de emoção por ver aquele muro cair.
Há 20 anos estava sozinha nesta comoção de liberdade.
Há 20 anos vivia num outro mundo, rodeada também por um muro, construído por mim, sustentado em equívocos meus, sobre uma paixão devastadora, um amor eterno.
Em 9 de Novembro de 1989, faltavam justamente 9 dias para o meu primeiro casamento.

Só consegui derrubar o meu muro em 1996, em Abril, o supremo mês da liberdade. E no ano seguinte fui até às ruínas daquele muro original comemorar a minha vitória.

E que me desculpe a história, mas a emoção da minha liberdade foi mais intensa que a vivida com a queda daquela muro, que ao cair ali naquele dia, na minha televisão, certamente me sussurrou que deveria também libertar-me do meu. Mas naquele tempo eu tinha a obstinação dos 20 anos e ainda não acreditava em coincidências…

23 de outubro de 2009

Blasfémias literárias...

Por circunstâncias da vida hoje estou em casa.
A paciência é nula, a febre ainda aperta, e pelo nariz não entra nem sai ar... e canso-me! e a televisão cansa-me, e as polémicas abstrusas cansam-me.
Não sei se será efeito secundário de tanta medicação, mas a desinteligência, a intolerância, o bacoquismo, cansam-me imenso.
Estou exausta da polémica do Caim, que ainda não fui à livraria comprar, (mas que quero desesperadamente, porque sou fã e na minha prateleira existem todos os outros filhos do autor) e portanto sobre o qual não posso falar, ao contrário de uma série de gente que mesmo sem o ler elabora sobre a obra discursos eloquentes e pueris ...
Como estava mesmo cansada, e não tinha nada novo para ler, (não se esqueçam do meu aniversário no mês que vem!!) fui até ao escritório e tirei (como faço tantas vezes) de olhos fechados um livro da estante, para reler, para me entreter e descobrir novas leituras da mesma obra e eis que tenho em mãos "o crime do padre amaro", do unânime (?) grande Eça, e depois de 120 paginas dou comigo a pensar, como teria sido a história deste herege escritor quando publicou esta obra em 1879? Como é que escapou da fogueira? Como é que permaneceu com a nacionalidade? Terá sido espancado em alguma esquina, num ajuste de contas clerical?

Ou a sorte dele terá sido o facto de na altura não existirem pseudo-políticos comentadores literários que ninguém sabe quem são e ambicionam pelos seus minutos de fama...
Não tivera tão cansada ia procurar esta história…

23 de setembro de 2009

Sobre asfixia democrática...


...não digo nada.... porque não posso!

4 de setembro de 2009

A luta

Hoje os rapazes não estão em casa e o comando é todo meu.
Carrego no 4 e assisto ao Jornal Nacional da TVI (face às notícias da TSF no regresso a casa a coisa prometia). E aqui estou eu, sozinha no sofá, a acompanhar o drama, a emoção, a revolta... ao vivo e a cores. Como eu os invejo. Estes jornalistas ainda não estão mortos, amorfos, mortinhos de medo, com a grande maioria dos cidadãos deste país, sobretudo a malta da administração pública. Estes ainda lutam, estrebucham, gritam, comentam, interpelam o 1º ministro, enfim fazem a festa...


Eu hoje também fiz a minha pequena festa, (sozinha e por isso pequenina), remeti ao senhor presidente do convento recurso sobre o a minha avaliação de desempenho, com a qual naturalmente discordo. A grande maioria dos meus colegas também está descontente, mas quantos irão formalmente manifestar esse desagrado?


25 de abril de 2009

A festa

Quando é que há outra festa pá?

A senha




que a senha ainda nos faça acordar....

24 de abril de 2009

Rapidinhas de 24 Abril [conceito twitter]

1. Viva o senhor presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo e mais o homem que manda em Caracas que declararam as "suas" cidades livres de touradas, ali não se matam mais touros nas praças!Olé!!!
2. Senhor Presidente da Câmara de Santa Comba Dão, a propósito da inauguração amanhã da Praça/Largo Salazar, diz v. Exºa que 35 anos depois é tempo de enterrar os fantasmas do passado... primeiro parece que é o senhor que não está disposto a isso e depois concordaria com a ideia não fora o facto de eles estarem cada vez mais presentes no nosso quotidiano!
3.Ouvi na rádio, acerca da promoção de Otelo, uma frase brilhante, da qual não apanhei o autor, mas que deixo aqui, porque me fez sentido (talvez por ser ainda muito de manhã) "...quem pensa as revoluções são os idealistas, quem as faz são os fanáticos..."
4. Huf! em ano de eleições há muita informação para digerir...

16 de abril de 2009

A lei do sexo obrigatório

Ontem inesperadamente, depois de jantar, o comando da televisão veio parar à minha mão. O gajo não liga a mínima a futebol (digam lá que não tenho um marido espectacular) e foi para o escritório acabar um trabalho, e o puto abdicou do seu canal Panda para ir para o quarto fazer sozinho e sem ajudas, como muito bem frisou, um puzzle novo que eu lhe tinha acabado de oferecer. Assim, eis-me repentinamente só na sala e senhora daquele rectângulo que comanda a tv.

Pois bem, comecei a zapar os noticiários, passei o futebol, claro está, e parei na TVI, onde por segundos fiquei face à promessa de ver lá mais para o fim do noticiário um valente japonês de proveta idade que ainda é estrela de filmes porno lá na sua terra. Excelente notícia, por sinal, mais para o senhor do que para nós é claro, mas as opções editoriais dos noticiários são o que são e quem não quiser ver, é só mudar... e era justamente o que ia fazer quando entra uma peça com uma manifestação de mulheres nas ruas de Cabul, no Afeganistão, contra uma lei aprovada recentemente pelo governo de Hamid Karzai, segundo a qual os maridos podem exigir ter relações sexuais com as mulheres de quatro em quatro dias, sem elas poderem recusar.

Enquanto via as imagens daquelas mulheres que gritavam contra a legalização da violação dentro do casamento e da repressão aos seus direitos enquanto mulheres, os meus pensamentos dispersavam-se entre que raio de governo é aquele que não tem mais nada que fazer que legislar sobre a sexualidade dos seus cidadãos, que estúpidos tipos são aqueles que não devem saber nada sobre sedução e sexualidade e se têm que escudar atrás de uma lei desprezível para aliviarem os seus instintos básicos, e eis que começo a imaginar a própria da lei: será que especifica o tempo obrigatório do coito, o número de gemidos exigíveis, as posições que devem ser utilizadas, a lei abordará o número de orgasmos aconselháveis ou nem por isso, (será que é permitido às mulheres gemer, gritar impropérios no acto e ter orgasmos?) e as dimensões exigíveis dos falos dos machos (mínima e máxima), não entrarão na lei? E aqueles homens que não conseguirem cumprir as funções de quatro em quatro dias serão punidos, espancados, multados… ou os senhores afegãos não sofrem de disfunção eréctil, stress e afins que lhes anule a libido. E quando as mulheres acabam de parir, a lei aplica-se? E quando estão menstruadas e ficam impuras lá nos seu cânones? E quando estão doentes? Á morte mesmo… continuarão a ter que abrir as pernas de quarto em quatro dias? E porquê quatro dias? E não três ou cinco? Existirá alguma explicação religiosa ou cabalística para o número? Tantas questões me assolam e revolvem o estômago, mas tenho esperança que lá se legisle tão bem como cá e todas as questões sejam remetidas para decretos regulamentares que sairão um dia, e desta forma nunca será possível aplicar a (mal)dita lei.

Ironias à parte, o que estes criaturos (parece-me que o conceito de homens não se lhes pode aplicar) pretendem é o inatingível, querem controlar evocando os seus deuses, os nossos poderes supremos: do amor, da sensualidade, da sedução, do erotismos, da maternidade, mas esses serão sempre nossos e só nossos e nenhuma lei os poderá castrar, porque a dimensão do feminino é demasiado incompreensível até para o homens, quanto mais para os estúpidos criaturos do Afeganistão.

3 de outubro de 2008

Arrependimento

Acredito que nos últimos dias muita gente deve estar, cada vez mais, arrependida de ter votado no partidinho instalado no poder. Não, não estou a falar de Economia, de Desenvolvimento, de Segurança, de Cultura, de Justiça... Estou tão só a falar do impedimento do reconhecimento do direito individual de amar e de constituir uma família!

(e não é que o "conservador" PSD deu liberdade de voto aos seus deputados, ao contrário do "liberal" PS que obriga a um rotundo não?)




24 de abril de 2008

Comemorar, sempre.


Sei que estás em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo pra mim
Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente
Uma flor do teu jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também que é preciso, pá
Navegar, navegar
Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim

Chico Buarque

25 de abril de 2007

A Liberdade passou por aqui...




Em dia de liberdade, descobri um autor fascinante numa pequenina obra, que li de um trago, publicada pelo jornal Público - "Amos Oz Contra o Fanatismo."

Este homem, descreve o fanatismo, com o qual coabitou desde sempre, em Jerusalém, com uma racionalidade surpreendente, identificando as suas razões mais profundas e simultaneamente as estratégias para o combater.
Só um ser pleno de experiência de vida e sabedoria, refecte que: “ Sentido de humor, a capacidade de imaginar o outro, a capacidade de reconhecer a capacidade peninsular que existe em cada um de nós, pode pelo menos constituir uma defesa parcial contra o gene fanático que todos temos dentro de nós.”

Hoje já ganhei o dia!
Abençoado 25 de Abril, iluminado Amos Oz.
Quero conhecer toda a obra deste autor!

19 de abril de 2007

Notícias para o 25 Abril de 07


Notícia 1 - Uma exposição de composições originais alusivas à Revolução dos Cravos desenhadas pelo robô poeta do artista plástico Leonel Moura vai ser inaugurada dia 24 de Abril no Museu Arqueológico do Carmo, em Lisboa. Leonel Moura «ensinou» o robô a reproduzir as palavras Abril, Viva, Sempre e os números 25, elementos com os quais gerou uma série de composições de pintura e escrita com «uma poética própria». O artista tem vindo a criar uma série de robôs com autonomia suficiente para pintar os seus próprios quadros, questionando desta forma alguns dos fundamentos da condição e da cultura humanas, tais como a inteligência, a arte e a poesia.(...) Diário Digital / Lusa



Notícia 2 - Ricardo Araújo Pereira foi vetado pela Juventude Comunista Portuguesa (JCP), que inviabilizou uma intervenção do humorista nas próximas celebrações do 25 de Abril. A proposta, originalmente feita pelo representante da Juventude Socialista (JS) nas reuniões preparatórias da comemoração do 33.º aniversário da Revolução dos Cravos, esbarrou com a intransigência da JCP, que sugeriu nomes alternativos ao do "Gato Fedorento", ex-militante nas fileiras comunistas. A falta de consenso entre as forças políticas representadas na comissão promotora inviabiliza a intervenção de um representante dos jovens portugueses no comício do dia 25 em Lisboa, o que acontece pela primeira vez."É lamentável que não tenha sido possível ultrapassar divergências em aspectos secundários para nos podermos concentrar no essencial", declarou ao DN o capitão de Abril Vasco Lourenço, que desde 1982 lidera a comissão promotora das celebrações do 25 de Abril, que em Lisboa incluem sempre um desfile entre o Marquês de Pombal e o Rossio. Sem um representante dos jovens, haverá apenas uma intervenção no palco, a cargo de outro capitão de Abril - o coronel Rosado da Luz.(...) DN Online



Notícia 3 - "Há um fulgor organizativo na extrema-direita portuguesa", mas este fenómeno não é sinónimo de crescimento. Até porque "em Portugal não há condições, de maneira nenhuma, para uma explosão" desta ideologia. A convicção é do politólogo José Adelino Maltês, que desvaloriza a projecção que o PNR (Partido Nacional Renovador) tem conseguido nas últimas semanas, agora por força do encontro de extrema-direita agendado para o próximo sábado. (...) Susete Francisco/ DN Online


Notícia 4- Membros de claques de futebol, funcionários de empresas de segurança privada, um militante do Partido Nacional Renovador (PNR) e vários skinheads estão entre os 20 indivíduos detidos ontem pela Polícia Judiciária (PJ), todos conotados com movimentos políticos de extrema-direita. Alguns foram apanhados em flagrante delito na posse de armas, numa vasta operação que envolveu cerca de 60 buscas, incluindo a sede do PNR, voz dos radicais de direita.Esta operação, centrada em Lisboa, Margem Sul , Loures, Caldas da Rainha e Porto, foi desencadeada a dois dias da realização em Portugal de uma conferência internacional com partidos e grupos de extrema- -direita de toda a Europa. Este evento, em local desconhecido, é promovido pela juventude do PNR. (...)Licínio Lima/DN Online



Em síntese, 33 anos depois... um robot pinta com liberdade, ninguém vai rir no Rossio em tarde de passeata, a extrema-direita tenta fortalecer-se e integrar a Europa, mas felizmente não consegue ... e os gajos do futebol estão desde sempre metidos em sarilhos.