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25 de julho de 2012

Nós


Não somos o casal maravilha. Que a vida nos livre disso que deveria de ser um tédio. Somos, julgo eu, absolutamente normais.

Nem sempre ouvimos as mesmas canções, não lemos os mesmos livros, também não gostamos dos mesmos canais de televisão, temos pressupostos ético-religiosos diferentes, (para não dizer diametralmente opostos) o que fez com que nunca concordássemos em nenhuma das matérias que foram a referendo neste país.

Mas partilhamos, até agora, os valores essências: entendemos do mesmo modo o que deve ser uma relação, somos absolutamente consonantes na educação da cria, adoramos ser profundamente íntimos, respeitamos as nossa individualidade, não temos qualquer dificuldade em entender a necessidade do espaço e de liberdade do outro e conseguimos tornar as nossas diferenças em desafios intelectuais que muitas vezes terminam em gargalhadas (embora também não partilhemos o mesmo tipo de humor) acho até que teríamos futuro na carreira diplomática (desde que não tivéssemos de trabalhar um com o outro).

Assim, cá em casa trocam-se muitas opiniões, discorda-se, mas raramente se discute. E poderia até nunca se discutir que não houvessem dois temas que nos fazem levantar a voz, utilizar termos mais escabrosos e até bater com as portas (o limite dos limites!) : a arrecadação e a família.

Com estes o consenso nunca é possível!

Para mim a arrecadação deveria ser um espaço de arrumação minimalista porque acredito mas leis universais do eterno fluir e nos princípios do dar, do deitar fora, da limpeza e do asseio, para ele, a arrecadação é a tulha alimentada pela sua faceta máscula ancestral de caçador-recoletor, no âmbito de uma filosofia, talvez agora, hiper-ecológica de que tudo pode ser aproveitado, tudo pode vir a fazer falta, tudo pode ser empilhado! (tenho que dar a mão à palmatória pois talvez 2% do material que me impede de entrar na arrecadação já foi necessário em uma ou noutra ocasião – mas isso compensará?).

O outro assunto, é mesmo O ASSUNTO, aquele que nos opõe como dois Pit Bull em arena de competição: a família.

A minha família só tem 3 elementos. A minha família somos nós e a cria.
E a minha família alargada é composta por aqueles de quem gosto e pelos meus amigos, aqueles que acorreria em qualquer circunstância e que sei que o fariam por mim com o mesmo amor. Para ele, a família somos nós mais os do seu sangue, cabem pais, irmãos, irmãs, tios, sobrinhos e sei lá mais o quê… e aqui começa a discórdia que se acentua sobretudo em períodos festivos como o Natal, a Páscoa e agora as férias grandes. O que para mim são períodos a passar a três ou com amigos para ele são épocas de se reunir aos do seu sangue.
Eu, que não entendo, por experiência de vida, essa coisa do sangue (o meu padrasto, que adoro, não partilha necessariamente o meu sangue mas partilhamos o mesmo feitio, o meu tio favorito, que me deu os melhores abraços do mundo, era-o por afinidade, a minha irmã é orgulhosamente filha de outro pai e de outra mãe) tenho muita dificuldade neste conceito de afeto que nasce de uma família imposta porque por acaso se descendeu do cruzamento remoto de um óvulo e de um espermatozóide… que estranho que isso é!

Nos próximos dias vem aí muita discussão. (desculpem lá vizinhos!)

24 de julho de 2012

Angústia I


Passo um ano inteirinho a invejar as minhas amigas sem filhos.
Como desejo as viagens, o silêncio, os livros, o cinema, os museus, as esplanadas, o sono,  a LIBERDADE!
Mas hoje, 24 horas depois de o ter deixado nos avós, estou enrolada no sofá com a vida vazia...
Sou mesmo uma adita deste meu filho!

31 de janeiro de 2012

Camila Júlia dos Covões 29.09.1998 – 30.01.2012

Nasceu livre lá na serra que dá o nome à sua raça, Serra d´Aires.
Fez parte da nossa família durante 13 anos.
Foi sempre teimosa que nem uma mula.
Protegeu o nosso menino como ninguém.
Fez todos os disparates a que tinha direito, - é épico o seu assalto ao forno em noite de Natal - .
Viajou connosco: amava a neve, a praia e o mar.
Temia a chuva e a trovoada.
Envelheceu.
Adoeceu gravemente e teve de partir, quem sabe (e porque o seu dono pequeno quer e acredita!)  para o céu dos cães.



Adeus Pimpila.

30 de agosto de 2011

"Os Dias do Avesso"

A crónica de hoje da Isabel Stilwell e do Eduardo Sá poder-se-ia ter chamado "nomes do avesso". E eu, que tenho um nome assim, do avesso, tive uma imensa vontade de entrar naquele estúdio e juntar-me à conversa. O meu sobrenome, o que uso em toda a parte, o que me caracteriza pessoal, social e profissionalmente, não é de família, foi escolhido, composto e adoptado por mim, de entre os apelidos do meu primeiro marido, ainda que não fosse (deliberadamente?) o apelido que ele utilizava.

O acto de adoptar o apelido dos cônjuges, tem certamente múltiplas motivações, desde afirmação social a puro amor. O meu teve sobretudo que ver com o facto de me sentir órfã de um sobrenome de família. Desde criança sentia/sabia, que não podia usar, para não magoar os que amava, o apelido de um ausente afectivo. Assim, passei toda a minha infãncia e adolescência em busca de um outro sobrenome que para além do materno me completasse o “nome todo”, pois isto de ter (usar) só um, que não era o último, era mais um fardo que tinha que carregar e que me distinguia dos meus amigos e colegas. Muitas vezes pedi ao meu padrasto para me adoptar para puder usar o seu apelido, aquele que era comum à nossa família, pedido sempre recusado porque eu não era, objectivamente, órfã.

Quando me apaixonei perdidamente, tive a sorte de um dos sobrenomes do meu futuro marido ter para mim um significado simbólico/romântico: um personagem de um dos meus autores favoritos partilhava o mesmo apelido.

E assim, aquando do matrimónio (que não foi sagrado, porque só foi civil) adoptei aquele apelido (que para espanto da senhora conservadora não correspondia ao último sobrenome do noivo) que liguei com um “de” ao meu sobrenome materno, e ficou bem.

Depois do divórcio quis mantê-lo: não queria perder a minha identidade, não queria, voltando ao nome de solteira, fazer “concorrência” a mim própria no campo profissional, não queria contar a todo o "planeta" que me tinha divorciado. Para tal, tive que formal e legalmente solicitar autorização, ao suposto dono daquele nome, que era já meu por direito de uso e identidade, para com ele permanecer. O meu ex-marido, felizmente, foi magnânime e concedeu sem qualquer constrangimento a autorização para eu manter aquele sobrenome que ele nem reconhecia como seu.

E hoje sou este sobrenome e não me consigo imaginar com qualquer outro.
E ainda que me tenha voltado a casar não voltei a mexer no meu nome.
Jamais mexerei.

23 de agosto de 2011

Regresso




Voltei. Com vontade de partir...

15 de julho de 2011

Metade

Que a força do medo que eu tenho,
não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo o que acredito
não me tape os ouvidos e a boca.
Porque metade de mim é o que eu grito,
mas a outra metade é silêncio…
Que a música que eu ouço ao longe,
seja linda, ainda que triste…
Que a mulher que eu amo
seja para sempre amada
mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida,
mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
não sejam ouvidas como prece
e nem repetidas com fervor,
apenas respeitadas,
como a única coisa que resta
a um homem inundado de sentimentos.
Porque metade de mim é o que ouço,
mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz
que eu mereço.
E que essa tensão
que me corrói por dentro
seja um dia recompensada.
Porque metade de mim é o que eu penso,
mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste
e que o convívio comigo mesmo
se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto,
um doce sorriso,
que me lembro ter dado na infância.
Porque metade de mim
é a lembrança do que fui,
a outra metade eu não sei.
Que não seja preciso
mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito.
E que o teu silêncio
me fale cada vez mais.
Porque metade de mim
é abrigo, mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta,
mesmo que ela não saiba.
E que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade
para fazê-la florescer.
Porque metade de mim é platéia
e a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada.
Porque metade de mim é amor,
e a outra metade…também.

julho 5, 2007 in Ferreira Gullar

19 de março de 2010

Obrigada L.




Obrigada L, por seres o melhor pai que podia ter escolhido para o meu filho.

18 de março de 2010

Da alma lavada no Facebook...

Ontem foi um dia bom, muito bom, pleno de afectos reencontrados.
Virtualmente reencontrei três amigas: uma que me acompanhou no princípio da adolescência e com quem partilhei projectos, sonhos e paixões; outra, amiga dos primeiros anos de trabalho, já na idade adulta, com que vivi experiencias inolvidáveis (algumas hilariantes) e momentos de crescimento únicos; e a terceira, amiga recente de projectos difíceis mas com quem facilmente estabeleci empatia e afecto.
Ontem redescobri-as no faceboock, nesse mundo virtual de vidas, consciente de que no mundo real, estes encontros e conversas não teriam sido possíveis.
Ontem reencontrei partes de mim, e histórias, e memórias, e gargalhadas e… um passado que já foi meu.
Ontem reencontrei a Cristina, a Sofia e a Carla.

Ontem foi bom, muito bom!

23 de janeiro de 2010

Quem me leva os meus fantasmas....

Obrigada M. Acho que fica bem depois do post anterior.

21 de janeiro de 2010

A Sindroma da Alienação Parental

A justiça e a comunicação social ofereceram-nos nos últimos dias diferentes abordagens da Sindroma de Alienação Parental, que a OMS não reconhece e a DSMIV não identifica.
Traduzindo por miúdos, porque é efectivamente um assunto de miúdos, após o divorcio, um dos pais, em regra a mãe, porque geralmente é esta a cuidadora, (e ainda que não fosse, desde Freud a culpa de qualquer trauma é invariavelmente da mãe), faz supostamente a cabeça dos miúdos para não quererem ver ou estar com o pai. E face a isto, pronunciam-se todos: juízes, juristas, advogados, pedopsiquiatras, psicólogos, jornalistas. Falam da suposta Síndroma, questionam a legislação, esgrimem argumentos sobre o direito à parentalidade, o equilíbrio dos pais cuidadores, a saúde mental das crianças, e tudo o que mais se queira….

Este assunto incomoda-me, e a reportagem da RTP sobre a Maria, que acabou institucionalizada, e só pode ver a mãe uma hora por semana, por sofrer do suposto Síndroma arrepia-me até à medula e fez-me perder uma noite de sono.

Todos sabemos que o mundo não é perfeito, todos sabemos que o divórcio pode ser o fim ou o princípio de uma guerra de adultos onde as crianças são facilmente manipuladas, todos conhecemos o mal que por vezes se faz em nome de um suposto bem, todos em algum momento da nossa vida já alcançamos objectivos sem estar muito atentos aos meios que utilizamos (ainda que inconscientemente), por tudo isto, e muito mais, tenho dificuldade em aceitar esta Sindroma como argumento para o que quer que seja, muito menos para afastar uma criança de uma mãe, boa cuidadora e afectuosa, ainda que com o coração cheio de ódio pelo outro progenitor do seu filho. Pergunto-me também que pais cheios de ódio são estes, que recorrem a tribunal e preferem ver os seus filhos institucionalizados a deixa-los viver com as suas mães. Sei que o argumento é discutível mas apetece-me avocar a história do Rei Salomão quando duas mulheres afirmavam ser mães da mesma criança, e o rei ameaça mandar cortar a criança ao meio, decidindo por fim dar a guarda da criança àquela mulher que cedeu em entregar a criança à outra mulher para que a criança não fosse morta. Parece-me que um bom pai, deve saber recuar temporariamente, desistir se necessário, pelo bem-estar do seu filho. Talvez o filho um dia possa reatar a relação e compreender este “abandono”, mas certamente nunca lhe perdoará o tempo de institucionalização.


Nota: A autora do post faz aqui uma declaração de interesses: há 40 anos foi supostamente vítima da “ síndroma de alienação parental”. Uma separação na década de 60 era uma guerra sem fim, que envolvia ódios colossais, aliás essa guerra só acabou com a formalização do divórcio dos pais em 76, quase 10 anos depois. Viveu sempre com a sua mãe e a sua família materna, adoecia todos os domingos da visita, e o seu pai, quando ela tinha 3 ou 4 anos, desistiu dos encontros domingueiros a troco da poupança da pensão de alimentos. O juiz quando ela tinha 9 anos perguntou-lhe a sua opinião sobre o assunto. [Ela nunca se esqueceu daquele juiz barbudo que a ouviu atentamente e compreendeu a sua opção- devia ser comunista!-]. Cresceu saudável e mais ou menos feliz, como toda a gente, e não lhe aconteceu nada de mal, antes pelo contrário.
Se tivesse sido institucionalizada a sua história seria certamente outra…

16 de dezembro de 2009

A minha irmã


A minha irmã é filha única, como eu.

Encontrámo-nos há 25 anos atrás num dia radioso de Outubro.

Escolhemo-nos.

E somos irmãs deste então.


Não sei como é ter uma irmã biológica, mas não deve ser diferente deste afecto que nos une, desta cumplicidade feroz e da confiança inabalável que nos alia.


A minha irmã [sabe que] é a única pessoa a quem confiaria (face a uma impossibilidade dramática [lagarto, lagarto, lagarto!]) o meu bem mais precioso: o meu único filho!



A minha irmã agora vive do outro lado do mundo, mas está quase a chegar para passarmos o natal em família.


30 de maio de 2009

Sem comentários ou...com tudo por dizer


por nós, por eles... olhem à vossa volta e reparem...

há dias em que é bom trabalhar, há dias em que o profissional e o pessoal se misturam miraculosamente, há dias em que tudo faz sentido...

17 de maio de 2009

O puto em dia de Eurovisão I

Apareceu ao final da tarde na sala, vindo do seu quarto mágico, com uma folha escrita com letras garrafais em lápis de carvão. A folha tinha duas palavras: mar e amor.
Fiquei calada a olhar para este menino que aos 5 anos escreve sozinho as minhas palavras favoritas....

8 de maio de 2009

Ele

Ele é um companheiraço.
Ele não é daqueles simpáticos que ajuda em casa, ele faz pela vida, tal como eu. Ele partilha!
Ele assumiu o filho desde o primeiro minuto: fraldas, noites, biberões, banhos, antibióticos e pediatras. Ele cozinha (como ninguém! e 100 vezes melhor que eu), ele estende roupa, ele aspira, ele vai às compras, ele trata do terraço, ele pendura quadros, ele arranja torneiras, ele pinta paredes, ele lava os vidros, ele lava os carros e vai pôr-lhes gasolina (coisa que eu não faço). Enfim, poder-se-ia dizer que é um homem XXI, civilizado, inteligente, de cabeça arrumada, sei lá …quase um nórdico.
Mas (esta estória tem um mas), ontem (re)descobri a sua latinidade … quando depois de semanas e semanas reclamei e lhe pedi para chegar a casa pelo menos antes da 19.30h, para fazer um jantar aceitável (que eu e o puto já não aguentamos mais a minha comida) e tratar do puto que eu tinha que estudar, ele lá conseguiu escapar a uma reunião tardia, agendando-a para hoje de manhã. Mas (aqui está o mas) durante o jantar na conversa descobri que ele estava ali connosco porque usou o “famoso argumento” que tinha que ir buscar o meu carro à oficina que fechava às 19.30h e não com a verdade de que tem uma família com a qual não jantava em casa à quase um mês e que precisava de tomar conta do filho. Eu sei que é preciso saber viver, eu sei que ele estava ali, mas deitei-me com este incomodo na alma, esta desilusão… pode ser disparate, mas fiquei magoada!

Que raio de cultura é esta em que é aceitável sair do trabalho depois de lá estar mais de 10 horas para ir buscar um carro á oficina e não por se ter compromissos familiares!
E ele alinhou no esquema…

4 de maio de 2009

Maternidade


[Ainda que com um dia de atraso].
Obrigada mãe, sobretudo por amares tanto o meu filho. [confesso que isso me fez reconciliar internamente contigo.]
Obrigada filho, por me fazeres descobrir diariamente como é amar incondicionalmente.

19 de novembro de 2008

12 de novembro de 2008

A lista

A lista para dia 18 continua a mesma de 2007.

23 de setembro de 2008

Monoparentalidade


A partir de hoje sou, e serei por 30 dias, uma mãe solteira.
Claro que há o skype, e o msn e o telemóvel para matar as saudades.
Mas a logística está toda por minha conta. Estou exausta, ao fim do primeiro dia!
As minhas rotinas estão viradas do avesso!
Não sei se sobreviverei….

Decididamente, para mim, um filho é para ser vivido a dois.
(foto de Nuno Santos, retirada do Olhares)

29 de agosto de 2008

Intimidade

Alguém me que conhece bem, ofereceu-me um novo íman para o meu computador que versa assim: “os homens vêm e vão… as jóias duram para sempre”.
Foi mesmo alguém que me conhece muito bem…

Obrigada amiga!