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11 de janeiro de 2011

Onde é o limbo?

Não, não vou escrever sobre o caso Castro vs Seabra, nem sobre o julgamento do pai que espancou o seu filho bebé até à morte. Também não me quero pronunciar casuisticamente sobre dezenas de crimes passionais ou fraticídas, que com frequência enchem as gordas da nossa imprensa. O que me fascina (e preocupa), em todos eles, é o seu traço comum: o salto no limbo. O momento, em que cada um dos criminosos deixou de ser racional e do mais fundo do seu ser soltou uma raiva cega para cumprir aquilo que, naquele momento, considerou essencial à sua sobrevivência.

Tenho passado toda a minha vida cativada por isto… qual é a chave, o detonador, que despoleta o instante em que um pessoa se transforma em besta: quando é que o ciúme se torna tão insuportável que só a morte acalma, quando é que a cobiça por um palmo de terra assume um perfil mortal, que nível de cansaço e desespero exige a necessidade absoluta de calar para sempre o outro, quando é que uma ofensa necessita de ser cobrada com sangue, a partir de que momento o abuso só se sacia na morte do abusador. Quando é que a extinção do outro, sem contemplações, se torna tão imperiosa, que dela somos capazes, sem pensar no horror e nas consequências devastadoras que levamos à vida de outros e trazemos à nossa própria vida.

E mais, que mecanismos externos e internos nos podem defender disto, quer sejamos potenciais vítimas ou criminosos…conhecemo-nos suficientemente bem para saber que seremos incapazes de passar a linha? E os outros, os que amamos, os que vivem connosco, ou aqueles com quem nos cruzamos no dia-a-dia, estarão longe ou próximo do seu limbo?

Neste momento, em que nos esperam momentos difíceis das nossas vidas, onde as necessidades que nos foram progressivamente criadas vão deixar de poder ser satisfeitas, e em que eventualmente as mais básicas também não, haverão muitos mais seres capazes de atravessar a fronteira…
o crime tornar-se-á banal?

24 de fevereiro de 2010

Para a Madeira, com amor.

Há pessoas a quem o inusitado paralisa, há outras que tomam verdadeiras doses de adrenalina e depois há …o Alberto. O homem que deu uma entrevista onde até parecia um político da república (esta expressão enerva-me, então as regiões autónomas são monarquias?) a dizer que está tudo esquecido e que o senhor primeiro-ministro é um amigo e o que lá vai, lá foi… (suspendo a respiração e penso que desta é que enlouqueceu, ou melhor, ficou normal) mas eis que no fim da entrevista se vira furiosamente contra os “verdes”, porque afinal as pedras rolaram levadas abaixo pois o raio daquela rapaziada não as deixou tirar de lá, e se não tivera mandado desviar as ribeiras dos seus leitos naturais a desgraça teria sido maior, e guinchou, e espumou e voltou ao seu normal (e eu voltei a respirar -porque ele voltou ao normal, e se ele voltou tudo voltará- ainda que com o coração apertado de assistir horrorizada aquelas imagens brutais).
Mas voltando ao homem, reconheço que se tem mostrado um bom organizador (dentro do género): o homem põe toda a gente a trabalhar 24 sobre 24 horas e com contratos firmados na palavra, o homem não hesita em decidir fazer mais um túnel e um bairro de 25 ou 26 casas, para já, e sem discussão (como se a coisa fosse tão fácil como ir beber uma poncha no bar da esquina), porque afinal o homem não está para andar ao estalo com a natureza (adorei esta imagem brilhante produzida pelo homem).

O homem é sui generis, mas eu até consigo perceber porque é que os madeirenses o reelegem: o raio do homem não tem medo de tomar decisões, (como se o financiamento fosse coisa de menor importância), há nele uma virilidade atroz!
E tal como todo o pessoal desta "républica continental" quero lá ir, em Abril, para a festa da Flor!

12 de janeiro de 2009

Confroto com a [dura] realidade...

Não, não são mil páginas de propaganda para estudar para o concurso de promoção na carreira, não , não são!
São, apenas, cerca de 2500!!!

16 de novembro de 2008

A escola

Ontem à noite (depois de um seminário na faculdade), quando regressava a casa, com a cabeça a latejar, o peso do mundo às costas, e o peito apertado com a pergunta “porque é que me meti nisto?”, ouvi uma vozinha vinda do quarto dele: “Mãe, és tu? Já chegaste da escola primária?”.

7 de outubro de 2008

Regresso


Já está! Candidatura aceite, matricula feita e paga a propina anual.
Volto novamente aos bancos da "minha" escola.
Meta: uma dissertação em 1o meses!
Dúvida: sobre o quê?
Angústia: como é que vou conciliar tudo?