23 de agosto de 2007

Sestas


Voltei ao trabalho apenas há 8 dias e por mais que tente não consigo (re)descobrir como é que é possível viver sem dormir a sesta. Ando cá com um mau humor! Saíam da frente senão eu mordo! Onde é que está a minha almofada! E o sofá! E o livro! Quero tudo aqui, já! OUVIRAM!

21 de agosto de 2007

Emoções fortes




Ainda não descobri o encanto desta nova forma de conduzir em Lisboa.

Acho diferente e perigosa, mas acredito que quem decidiu que assim deveria ser tem alguma consciência cívica…e pensou em combater o tédio da condução lisboeta.

Primeiro andamos a uma velocidade aceitável, digamos, normal, como sempre fizemos até aqui, depois, quase, quase, em cima dos novos radares, travamos bruscamente para o ponteiro descer para os 50km/hora, e evitar a famigerada multa, logo, logo a seguir aceleramos a fundo para recuperar o tempo perdido com a travagem, e assim percorremos a cidade entre a velocidade imposta por um cortejo fúnebre e a mais louca corrida de todos os tempos.

Confesso que nunca antes tinha andado, nem tão depressa, nem tão devagar na cidade.

Por este andar os parques temáticos vão ficar às moscas, porque esta nova forma de conduzir trás emoções (sobretudo quando o carro da frente teima em travar um pouco antes do esperado) e enjoos que cheguem…. Tudo isto aumenta exponencialmente no radical percurso da Avenida de Ceuta, onde ao radar e às consequentes aceleradelas acrescem, logo em seguida, umas paredes de escalada em forma de bandas sonoras que nos obrigam a reduzir para 10 km/h para as conseguirmos transpor sem o nosso cérebro abanar, então a coisa fica mesmo radical, porque depois é preciso acelerar ainda mais!

Nem sei como conseguimos viver e conduzir tantos anos na cidade sem esta torrente de emoções…

20 de agosto de 2007

Descobertas de Verão



Tenho uma relação complexa com o religioso. Sempre me interessou enquanto fenómeno de massas, mas nunca encontrei em mim rasgos de fé… Mas procuro, sempre procurei. Desde muito pequena quis e nunca encontrei… Nos últimos tempos tenho procurado, mais intensamente encontrar uma via, um caminho espiritual (os 40 fazem destas coisas), procuro o equilíbrio, procuro encontrar em mim a energia primordial…
… e nas minhas arrumações de verão (re)encontrei a oração perfeita:

Senhor, dai-me a inocência dos animais
Para que eu possa beber nesta manhã
A harmonia e a força das coisas naturais.

Apagai a máscara vazia e vã
De humanidade
Apagai a vaidade
Para que eu me perca e me dissolva
Na perfeição da manhã
E para que o vento me devolva
A parte de mim que vive
À beira dum jardim que só eu tive.

Reza da manhã de Maio
Sophia de Mello Breyner Andresen
in "Dia do Mar"

17 de agosto de 2007

I’m back!




Voltei. Recomeço as rotinas, ligo de novo o computador, espreguiço-me e penso no tanto que ficou por escrever neste mês de ausência e no tema que poderia ter este post de regresso:
- Podia falar de como tenho as costas queimadas de tanto fazer castelos de areia;
- Podia falar dos passeios em noites de verão;
-Podia falar de como me cruzei diariamente às onze da manhã com pessoas que chegavam à praia com crianças muito pequenas, ou mesmo, das meninas inglesas, brancas e loiras, minhas vizinhas de hotel, com quem me cruzava às 17.00h, quando ia para a piscina com o puto, e elas regressavam com os pais ao quarto, e de como ficaram com feridas e crostas nos ombros e no nariz e de como continuaram a frequentar a piscina das 11.00h às 17.00h envoltas em pomada para queimaduras;
- Podia falar de outros pais ingleses que continuam a ter ideias difusas de como cuidar, educar e proteger os seus filhos (será um traço cultural?);
- Podia falar do espanto com que vi carros na auto-estrada onde no banco de trás viajavam três adultos e crianças ao colo (e de como isso me devolveu às minhas memórias dos anos 70 e 80, quando nos carros quanto mais melhor…);
- Podia falar dos livros que li;
- Podia falar dos longos almoços com amigos;
- Podia falar das íntimas conversas e das gargalhadas de mulheres;
- Podia falar das sestas…;
- Podia falar de amor;
- Podia falar de como me cruzei com um carteirista no Castelo;
- Podia falar das “últimas” manias e conversas do puto;
- Podia falar da angústia que já sinto, com a sua saída da creche e mudança para o novo colégio, no próximo dia 12 de Setembro;
- Podia falar do meu regresso ao trabalho, a este limbo, onde meses depois da extinção ainda não se sabe o que vai acontecer…

Podia falar de tanta coisa…. mas ainda estou cheia de preguiça…. talvez para a semana recomece….

20 de julho de 2007

Encerrado para férias...

... ou talvez não. Vai depender da praia e da inspiração....

18 de julho de 2007

Retaliação

Não, não há aqui qualquer leitura discriminatória ou xenófoba. A diversidade de orientação sexual constitui uma mais valia social e cultural como outra qualquer diferença que nos caracteriza.

O que me leva a postar esta traja não é essa, é mesmo o raio do boneco!
Já não aguento mais o boneco e o espaço afectivo que ele ocupa na vida do meu filho, nem na minha televisão, nem na minha casa, nem na minha vida. Não se consegue ver um noticiário, porque é a hora do boneco no canal Panda, não se consegue ver um filme inteirinho antes das 22.00h porque a qualquer altura é necessário disponibilizar o leitor de dvd para ver pela milionésima vez uma estória do boneco. Frequentemente tropeço nos múltiplos carros e aviões do boneco, que insistem em não estar arrumados no caixote dos brinquedos e andam sempre espalhados pelo chão. No banho, lá estão versões aquáticas do dito e seus amigos. Sei de cor todas as suas histórias, as deixas, os tiques de todos os personagens. Rara é a noite em que um dos 2 livros escolhidos para a leitura antes de adormecer não é do boneco. Os companheiros de cama do puto são a Xantily, uma coelhinha azul deliciosa que lhe ofereci no instante em que nasceu, e o palerma do boneco, por vezes até os lençóis são do boneco... Por mais que eu refile toda a gente insiste em oferecer produtos com o boneco. Só na roupa fui absolutamente intransigente, não quero cá nada com o malvado do boneco e afins, não há fita nem berreiro que me demova.

O boneco é um piroso e ainda por cima é um sonso aparvalhado que só me arranja confusões e obriga a arranjar argumentos para questões absolutamente pertinentes: mãe se ele é um menino porque é que conduz carros e aviões? Porque é que trabalha? Onde estão o pai e a mãe? Quem é que toma conta dele? Ele só come queques de groselha da Dina e gelados da D. Rosa? Ó mãe ele nunca toma banho, porque é que eu tenho que tomar todos os dias?

Ao longo deste último ano tenho tentado apresentar-lhe novos “amigos”, outros bonecos mais giros e inteligentes, mas ele insiste neste boneco. Resta-me esperar que o puto cresça e comece a perceber que o boneco é um pateta… enquanto isso, não resisti a esta pequena desforra!

17 de julho de 2007

Intercalares de Lisboa



Alguém me interpelou ontem..."então não postas nada sobre as eleições?". E eu, fiquei a pensar: Nasci em Lisboa, vivo em Lisboa, fui votar...
Mas a coisa foi tão deprimente, tão desprovida de surpresa e interesse que não se me oferece escrever nada... nem sobre as velhinhas de Celorico de Basto do PS que pensavam que iam numa excursão a Fátima, nem sobre a ciclista Helena Roseta com capacete à maneira e sem cartão de eleitor, nem sobre a entrevista da mulher do Carmona a dizer que era muito importante mais uns votosinhos para ficar umas décimas à frente do Negrão, nem sobre o Negrão esfíngeo e isolado, nem sobre o"Ginjas- Palhaço" que fez a campanha do Manuel Monteiro...
Mas, como gostei muito deste artigo de opinião do João Miguel Tavares, no DN d'hoje, aqui fica:


OS VOTOS EM ANTÓNIO COSTA NÃO ENCHEM O ESTÁDIO DA LUZ

As eleições são muito dadas a percentagens, mas não há nada como os números redondos. E os números redondos são estes: nove em cada dez lisboetas não votaram em António Costa. Tudo bem somadinho, o alegado grande vencedor da noite obteve 57 907 votos. Já vi mais gente no Estádio da Luz durante um Benfica-Gil Vicente. Eleições em que todos os partidos dizem que ganham não é novidade. Mas eleições em que todos os partidos, do CDS-PP ao Bloco de Esquerda, efectivamente perderam nunca antes se tinha visto. Reparem:

Perdeu o PS. É verdade que foi o partido mais votado, mas classificar de vitória os seus anorécticos 29,5% só mesmo por piada. Costa teve menos votos do que Carrilho - e isso é descer muito baixo. Aliás, a máquina socialista acreditou tanto nos seus militantes que encheu a sede de campanha com camionetas do Norte. Os jornalistas tentavam falar com os incontornáveis "populares" e só encontravam gente de Cabeceiras de Basto. Eu até ouvi uma velhinha da ideia de Matusalém confessar que não fazia a menor ideia porque estava na capital numa noite de domingo. 62,6% de abstenção é preocupante, com certeza. Mas não tão preocupante quanto convocar militantes do Minho para abanar bandeirinhas em Lisboa.

Perdeu o PSD e o CDS-PP. Ser batido por Carmona Rodrigues é mais difícil do que eu ganhar à bola ao Cristiano Ronaldo - mas Fernando Negrão conseguiu. Negrão tem ar de ser um homem honesto, mas é tão eloquente como uma estátua da Ilha de Páscoa. Cada vez que o apanhei na televisão a fazer campanha ouvi sempre o mesmo: "Votar em António Costa é trazer o Governo para dentro da Câmara de Lisboa. Votar em António Costa é trazer o Governo para dentro da Câmara de Lisboa." Isso até o meu papagaio aprende a dizer.
Para um comentário sobre o CDS-PP, é favor substituir "Fernando Negrão" por "Telmo Correia".
Perdeu o PCP e o Bloco de Esquerda. Ambos caíram em número de votos e em percentagem. Um caso triste, sobretudo para o Zé, coitado, que estava tão convencido das suas virtudes. Infelizmente, não é possível gostar em simultâneo dele e do Túnel do Marquês. E o Túnel do Marquês dá imenso jeito.

Até Manuel Monteiro perdeu. Monteiro teve menos votos do que aquele senhor que não gosta de imigrantes, embora se expresse pior do que um ucraniano. A Nova Democracia foi ultrapassada pela velha xenofobia. A partir do momento que se perde para o PNR, só há uma coisa a fazer: colocar lençóis brancos em cima dos sofás, apagar as luzes e ir à procura de uma vida melhor. Adeus, Manuel.

16 de julho de 2007

Ibéria


O prémio Nobel português José Saramago defende, numa entrevista publicada hoje no Diário de Notícias, que Portugal deveria tornar-se uma província de Espanha e integrar um país que passaria a chamar-se Ibéria para não ofender «os brios» dos portugueses.
O escritor, que reside há 14 anos na ilha espanhola de Lanzarote, considera que Portugal, «com dez milhões de habitantes», teria «tudo a ganhar em desenvolvimento» se houvesse uma «integração territorial, administrativa e estrutural» com Espanha.
Portugal tornar-se ia assim, sugere o Nobel português, mais uma província de Espanha: «Já temos a Andaluzia, a Catalunha, o País Basco, a Galiza, Castilla La Mancha e tínhamos Portugal».
«Provavelmente [Espanha] teria de mudar de nome e passar a chamar-se Ibéria. Se Espanha ofende os nossos brios, era uma questão a negociar», disse o escritor, membro do Partido Comunista Português desde 1986.
Questionado sobre a possível reacção dos portugueses a esta proposta, Saramago disse acreditar que aceitariam a integração, desde que fosse explicada: «não é uma cedência nem acabar com um país, continuaria de outra maneira. (...) Não se deixaria de falar, de pensar e sentir em português».
Na visão do escritor, Portugal não passaria a ser governado por Espanha, passaria a haver representantes de ambos os países num mesmo parlamento e, tal como acontece com as autonomias espanholas, Portugal teria também o seu próprio parlamento.
Numa entrevista de quatro páginas ao Diário de Notícias, José Saramago diz que em Agosto começa a escrever um novo livro e fala também da sua fundação, recentemente constituída, que deverá «intervir social e culturalmente, preocupar-se com o meio ambiente e outras questões», além de promover o trabalho do escritor.
in Diário Digital

Os argumentos a apresentar em favor desta ideia são muitos, podem ser económicos e sócio políticos, geoestratégicos e geopolíticos como, o alargamento dos mercados e das áreas de influência, ou o aumento do peso relativo na EU e no Mundo.

Mas os meus, são afectivos. Desde que me reconheço como gente, que esta ideia pulsa em mim. Desde que fiz, talvez com seis anos, a minha primeira viagem à Andaluzia, que me senti pertencer aquele universo de gente orgulhosa e dolentemente feliz, que canta nas ruas música alegre e se senta nas praças ao final do dia a conversar com todos os que aparecem. (Confesso que durante anos atentei a alma da minha mãe por ela não ter alimentado um namoro com um tal Manolo, de Sevilha, que nos poderia ter dado o passaporte para vivermos no lado de lá...)

Anos depois, percorri o país: desde as grandes cidades, Madrid, Barcelona, Toledo,Valência, Granada, as ilhas, Bilbao, até aos "pueblos" mais pequenos…. E descobri que até aqueles que não querem ser espanhóis, mas Basco, têm a mesma alegria comunicacional, a mesma obstinação, uma inaudita capacidade de lutar pelos seus ideais, uma qualidade de vida acima da média, que não se mede só em dinheiro (mas também, uma vez que os salários são significativamente superiores e os preços dos bens de consumo significativamente inferiores, por comparação com os lusos) mas em gostar de viver, em ter acesso à cultura e em orgulhar-se de si.

Pudéramos nós dar esse salto civilizacional, pudéramos nós amarmo-nos enquanto povo, fossemos nós felizes como eles são…e aquilo que tendemos a desdenhar “a sobranceria espanhola” seria também a nossa altivez. Por isso estou com Saramago:Viva a Ibéria. (Talvez os pudéssemos era fazer desistir na monarquia. Que isso de reis e rainhas já é um bocadinho Dysneiano… e pesa no erário público).

10 de julho de 2007

Ventos...


Os distritos de Lisboa e sul do continente português estão hoje sob alerta Amarelo devido à previsão de vento forte e temperaturas elevada, enquanto a radiação ultravioleta vai apresentar-se com valores muito altos.
Será que estes são finalmente os ventos da mudança?

E então?

O facto de um trabalhador da administração pública ser dirigente sindical passa a estar especificamente referido como elemento a considerar na avaliação curricular dos funcionários (sistema usado quando não é possível a avaliação por objectivos ou desempenho), destaca o Público. Segundo a edição desta terça-feira do jornal diário, esta é uma das novidades daquela que poderá ser a última proposta para o sistema de avaliação do desempenho na Administração Pública (SIADAP) entregue pelo Governo aos sindicatos.
in Diário Digital

Ouvi a notícia e fiquei com a dúvida, li no jornal e continuo com a dúvida: tal informação vai abonar ou prejudicar os referidos trabalhadores na sua avaliação? Ou muito me engano ou....

6 de julho de 2007

Um fim-de-semana Zen


Eu só conseguiria um fim-de-semana verdadeiramente zen, se primeiro atirasse a pedra à cabeça de alguém!

flexiSEGURANÇA

Cerca de 25 mil trabalhadores e sindicalistas europeus desfilaram ontem em Guimarães contra a flexigurança - despedimentos mais fáceis conjugados com maior protecção social. A manifestação, que obrigou ao corte do trânsito e mobilizou um forte dispositivo de segurança, apesar de discreto, coincidiu com a reunião informal dos ministros do Emprego e Assuntos Sociais da União Europeia (UE), que hoje termina naquela cidade.
JOÃO PAULO MENDES, DN On-line

Pergunto: Que meios vai disponibilizar o Governo para ouvir e processar esta gente toda, que se atreveu a estragar a estética da cidade de Guimarães e a incomodar os ouvidos dos senhores ministros do trabalho da UE? :)

5 de julho de 2007

Esquizofrenia


Estes são tempos de absoluto "no sense".
Sobrevivemos de boatos.
Nenhuma informação é fidedigna.
As decisões são arbitrárias e sucedem-se de forma absolutamente contraditória.
Todos especulam. Quem deveria falar, mobilizar e organizar mantêm um silêncio obstinado (informação é poder!)
E todos temem.

Lamentavelmente seguem-se aqui as orientações do venerável Governo (suponho que é assim que nos devemos passar a referir a suas Exas. para evitar o temido processo disciplinar e consequente exoneração): ocorre uma perda generalizada de humor e a critica é apenas sussurrada…
Não sei se por cansaço ou talvez porque os veneráveis “grandes gestores” desta casa mandaram por sedativos na água ou na comida.

Eu cá só bebo água engarrafada e vou começar de dieta!

Quero estar lúcida para assistir ao espectáculo (qualquer que ele seja)!

3 de julho de 2007

Voltar ao Trabalho


Depois de seis semanas, apetece-me tanto voltar ao emprego como ... ir dar banho ao cão!
(No caso, à cadela. E ela, bem precisada está!)

20 de junho de 2007

Conversas de puto (outra vez)

- Mãe aquele carro é um renault laguna ou um megane? É um carro ou uma carrinha?

Pois é! São assim as nossas últimas conversas.
Tendo esgotada toda a sua curiosidade relativamente a aviões e companhias aéreas, saciada com a sua primeira viagem aérea, da qual gostou mas que o desencantou relativamente àquelas coisas que andam no ar, pois nunca mais o vi levantar os olho para o céu quando um avião sobrevoa a cidade, passámos compulsivamente para as marcas e modelos de carros, carrinhas, camiões e autocarros. Se as marcas já são "trigo limpo", não escapa uma, com os modelos a coisa é mais complicada, para ele e para mim! Porque raio é que os carros velhos não são deitados fora!! Como é que eu compatibilizo, por exemplo, clios, meganes e lagunas, com R5, R9, R19, R23 e afins? Ora bolas ninguém pensa na dificuldade de uma mãe em explicar tudo isto!

A nossa viagem ao campo foi alucinante, 7 horas (3,5 para cada lado) em auto-estrada, ip's, ic's e outras is que nem merecem ter nome e aquela alma a debitar marcas e a perguntar modelos dos que iam á nossa frente, ao nosso lado, dos que nos ultrapassavam, dos que nós ultrapassávamos, dos que estavam estacionados... Já imaginaram o fartote de passar por aqueles camiões eles próprios carregados de automóveis? Os gritos eram mais que muitos, para abrandar para poder ver todos os modelos... ufa!

Mas porque é que este puto não dorme no carro, como todos os outros, mas porque é que não vê os desenhos animados do dvd. Porque é que não se cala!?

- Mãe porque é que há mitsubishis com as coisinhas encarnadas e outros com as coisinhas cinzentas?
– O quê, filho?
- Aquilo mãe, aquelas coisinhas dos nomes dos carros!
- Há! Pois é, sabes, os senhores que desenham os carros de vez em quando actualizam os logos das marcas…
-O quê, mãe?
-Deixa lá filho, são mesmo assim, há uns encarnados e outros prateados, pronto!
- Ó mãe olha aquele camião, é um miáeme!
- Um quê?
- Um miáeme!
- Pois é filho! POIS É!




18 de junho de 2007

Passeio ao campo

Este fim-de-semana fui passear ao campo.
Assumo, à partida, que sou um ser urbano e o meu horizonte é o mar. Cresci na cidade que tem uma das dez mais belas baías do mundo e onde a serra é de mato rasteiro com cheiro a mediterrâneo.
As serranias beirãs são relativamente recentes na minha vida e nelas não consigo encontrar encanto. Mas nas relações (dizem os teóricos e aprendi eu na vida) é importante ceder, dar espaço ao outro, negociar os destinos…E então lá fui (mais uma vez)!
As serras deprimem-me, corta-me horizontes, não me deixa ver para além delas. As árvores tornam as estradas escuras e frias, as casas geladas e as pessoas distantes. O xisto que tudo envolve arranha-me, por mais que eu queira amar aqueles lugares e aquelas gentes. A aldeia cheira a morte. Os velhos enchem as soleiras das portas ou arrastam os seus pertences agrícolas pelas ruas, os mais novos que sobram, os que não partiram, nem para França, nem ao menos para Lisboa, encostam os abdómenes dilatados ao balcão do café, enquanto seguram em garrafas de cerveja, com o mesmo bem-querer com que uma criança aperta a chupeta que a consola. O verde destas serras não me distrai, não me encanta, aqui só consigo ver tristeza e miséria.

Lamento, mas o meu caminho é para Sul…

14 de junho de 2007

Lisboa ou ....

Ao fim de 4 anos de defeso, na terça-feira fui espreitar a cidade.

Puto de 3 anos na mão, mochila às costas, bilhete de metro no bolso e lá fui festejar Lisboa.

Jantar em Alfama, a doidice de costume, mesa na rua, cadeira em equilíbrio instável e depois: vêm as sardinhas, não chegam as batatas e a salada, o empregado de mesa era um e depois mudou, gritavam entre eles, ninguém registava um pedido que fosse, e a cabeça não dava para tudo porque já devia estar atulhada de imperial, assim os caracóis chegaram depois das sardinhas (?), a sangria tinha muito gelo e pouco tinto, a conta foi astronómica, afinal esta noite é mesmo assim... (fiquei tranquila, afinal estava tudo na mesma, Lisboa em noite de St.º António continuava igual a si própria…)

Depois arrastei um puto cansado e já ensonado até à Avenida, pensei : mostro-lhe a marcha dos miúdos da Voz do Operário e depois, cama.

Bom, era assim que costumava ser…mas este ano não foi… vieram os cabeçudos, os bombos de Fafe, os bombos de Viana, os bombos “do raio que os parta”, (porque o pessoal do Minho deve ter boa orelhinha), e depois veio samba, sim samba na Avenida, em noite de santos populares, e depois fizeram umas explosões, um ruído ensurdecedor, que pôs todos os putos dos arredores em berreiro desenfreado, que pôs o meu a achar que estava em “teatro de guerra” (como gostam de dizer os senhores da TV), e a pedir-me para sair dali… também achei que era uma boa oportunidade para me livrar daquele cenário surrealista. Voltamos para casa. Mostrei, ainda, ao puto uma marcha na televisão, e disse-lhe que era assim que costumava ser, mas ele não percebeu que aquilo estava a acontecer no exacto local onde tínhamos estado minutos antes. Nem ele, nem eu!

PS: Eu sei que a Câmara de Lisboa está turva, mas também ficou cega e surda!
Ó senhores, no caso, senhora interina presidente, o povo de Lisboa quer é as Marchas, samba é no Carnaval e o raio dos bombos e dos estouros, deixem-nos lá para as festas da Senhora da Agonia, que deve ser por isso que ela fica enjoada!

11 de junho de 2007

Leituras


Comecei sexta á noite e acabei agora. Há muito tempo que não sentia esta ansiedade em acabar, esta vontade de descobrir. Que policial fantástico! Retorcido, intrincado, profundo.
Obrigada João, este fim-de-semana o cheiro a éter e betadine ficaram mais distantes…

4 de junho de 2007

Então, Mr. Prace?




Aqui, isolada, à distância, chegam-me apenas ecos daquilo que deveria ser a grande mudança, a eficaz reestruturação, a rentabilização e modernização do serviço….

Mas onde é que ficou... (falando baixinho) - quem é que o subornou - Mr. Prace, então nem chegou a haver uma dança de cadeiras à séria? Quase tudo reconduzido, só uns pequenos ajustamentosinhos!

Ora bolas, Mr. Prace, estou desiludida consigo! Assim não chegamos a lado nenhum…
Poupou algum dinheirinho, pois poupou, nomeadamente no meu vencimento, mas olhe que os resultados não vão mudar. Enquanto este olhar e as estratégias se mantiverem os resultados tenderão a piorar.


Ai, Mr Prace, Mr. Prace, que desilusão… tanta coisa para fazer e afinal ... só fogo de vista em dia de arraial popular!

31 de maio de 2007

Memória

Não, não me esqueci que tenho este blog! (a anestesia não foi assim tão forte...)
Mas ainda não recuperei a energia necessária para continuar....
Quem sabe, o sol e as cerejas de Junho me iluminem...

17 de maio de 2007

Ele


Ela vacilou, olhou para baixo e sentou-se. Tudo em seu redor rodopiava, dentro de si ocorria um turbilhão de emoções e pensou que ele diria: “um redemoinho de emoções”. Desde pequeno, de muito pequeno, que ele gostava de repetir a palavra redemoinho, seria o som ou a forma como a palavra se enrola na boca que ele apreciaria? De novo a náusea, de novo o vazio. Ela inspirou o feiticeiro som da voz dele e decidiu que não o queria deixar, que não o podia deixar. No instante, discerniu o essencial: nada importava para além dele. O seu universo começava no exacto contorno do seu abraço, na prega mais íntima do seu corpo, no seu sorriso desabrido, no seu beicinho avassalador, tudo o resto não era suficientemente relevante para induzir qualquer decisão. Só ele, na sua ingénua pensante existência justificava que o universo dela continuasse para além da náusea, para além do medo…

16 de maio de 2007

Se....

Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!
Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro.


Mário de Sá Carneiro

14 de maio de 2007

Notícias do Medo III

Um dos efeitos do medo é perturbar os sentidos e fazer com que as coisas não pareçam o que são."
Miguel de Cervantes in "Dom Quixote"

Notícias do Medo II

"Há alguma coisa aqui que me dá medo. Quando eu descobrir o que me assusta, saberei também o que amo aqui. O medo sempre me guiou para o que eu quero. E porque eu quero, temo. Muitas vezes foi o medo que me pegou pela mão e me levou. O medo leva-me ao perigo. E tudo o que eu amo é arriscado". Clarice Lispector

Posted in Jardimdinverno

Notícias do Medo I



Sinto que vou ficar assim, paralisada a semana inteira ... o medo é mais forte do que eu!

10 de maio de 2007

Peregrinação erótica?



Um mapa de Fátima que está a ser distribuído aos peregrinos por ocasião das comemorações dos 90 anos das Aparições contém anúncios referentes a sites de venda de artigos sexuais ao lado de publicidade religiosa.
De acordo com a agência Lusa, o roteiro, distribuído gratuitamente por uma empresa de publicidade, inclui vários cartões de publicidade, muitos deles com referência a instituições religiosas da cidade de Fátima, mas conta com duas publicidades que não «combinam» com o espírito da peregrinação internacional de Maio.
Os sites indicados promovem artigos afrodisíacos e instrumentos sexuais, propostas que não agradam aos peregrinos que escolheram esta semana Fátima para rezar.


Afinal ir a Fátima pode ser divertido! :)

8 de maio de 2007

Opinião

CALEM-ME A CRIANCINHA QUE NÃO CONSIGO MASTIGAR

João Miguel Tavares
Jornalista
jmtavares@dn.pt

Estava Miguel Sousa Tavares na TVI a comentar a nova Lei do Tabaco quando da sua boca saltou esta pérola: o fumo nos restaurantes, que o Governo quer limitar, incomoda muitíssimo menos do que o barulho das crianças - e a estas não há quem lhes corte o pio. Que bela comparação. Afinal, o que é uma nuvenzinha de nicotina ao pé de um miúdo de goela aberta? Vai daí, para justificar a fineza do seu raciocínio, Sousa Tavares avançou para uma confissão pessoal: "Tive a sorte de os meus pais só me levarem a um restaurante quando tinha 13 anos." Há umas décadas, era mais ou menos a idade em que o pai levava o menino ao prostíbulo para perder a virgindade. O Miguel teve uma educação moderna - aos 13 anos, levaram-no pela primeira vez a comer fora.

Senti-me tocado e fiz uma revisão de vida. É que eu sou daqueles que levam os filhos aos restaurantes. Mais do que isso. Sou daquela classe que Miguel Sousa Tavares considerou a mais ameaçadora e aberrante: os que levam "até bebés de carrinho!". A minha filha de três anos já infectou estabelecimentos um pouco por todo o país, e o meu filho de 14 meses babou-se por cima de duas ou três toalhas respeitáveis. É certo que eles não pertencem à categoria CSI (Criancinhas Simplesmente Insuportáveis), já que assim de repente não me parece que tenham por hábito exibir a glote cada vez que comem fora - mas, também, quem é que acredita nas palavras de um pai? E depois, há todo aquele vasto campo de imponderáveis: antes de os termos, estamos certos de que vão ser CEE (Crianças Exemplarmente Educadas), mas depois saltam cá para fora, começam a crescer e percebemos com tristeza que vêm munidos de vontade própria, que nem sempre somos capazes de controlar.

O que fazer, então? Mantê-los fechados em casa? Acorrentá-los a uma perna do sofá? É uma hipótese, mas mesmo essa é só para quem pode. Na verdade, do alto da sua burguesia endinheirada, e sem certamente se aperceber disso, Miguel Sousa Tavares produziu o comentário mais snobe do ano. Porque, das duas uma, ou os seus pais estiveram 13 anos sem comer fora, num admirável sacrifício pelo bem-estar do próximo, ou então tinham alguém em casa ou na família para lhes tomar conta dos filhinhos quando saíam para a patuscada. E isso, caro Miguel, não é boa educação - é privilégio de classe. Muita gente leva consigo a prole para um restaurante porque, para além do desejo de estar em família, pura e simplesmente não tem ninguém que cuide dos filhos enquanto palita os dentes. Avós à mão e boas empregadas não calham a todos. A não ser que, em nome do supremo amor às boas maneiras, se faça como os paizinhos da pequena Madeleine: deixá-la em casa a dormir com os irmãos, que é para não incomodar o jantar.




7 de maio de 2007

Fim-de-semana


Acabei de chegar de um fim-de-semana no paraíso!
Ainda não quero saber de quaisquer trivialidades da vida comum - portarias que extinguem Serviços, resultados das eleições em França, noticias banais e outras que tais -.
Recuso-me a acordar! Deixem-me lá ficar mais um bocadinho...
Eu juro que mereço!