9 de abril de 2010

D' aqui


Ainda há pesssoas que conseguem sonhar...ou... apenas sabem fazer discursos que fazem sonhar?


é verdade ou mentira?
que se lixe! estou aqui, é sexta-feira e cheira a mar!

8 de abril de 2010

Ele há verdades que têm de ser ditas (escritas)


Não admira que num país assim emerjam cavalgaduras, que chegam ao topo, dizendo ter formação, que nunca adquiriram, (Olá! camaradas Sócrates...Olá! Armando Vara...), que usem dinheiros públicos (fortunas escandalosas) para se promoverem pessoalmente face a um público acrítico, burro e embrutecido.
Este é um país em que a Câmara Municipal de Lisboa, desde o 25 de Abril distribui casas de RENDA ECONÓMICA - mas não de construção económica - aos seus altos funcionários e jornalistas, em que estes últimos, em atitude de gratidão, passaram a esconder as verdadeiras notícias e passaram a "prostituir-se" na sua dignidade profissional, a troco de participar nos roubos de dinheiros públicos, destinados a gente carenciada, mas mais honesta que estes bandalhos.
Em dado momento a actividade do jornalismo constituiu-se como O VERDADEIRO PODER. Só pela sua acção se sabia a verdade sobre os podres forjados pelos políticos e pelo poder judicial. Agora contínua a ser o VERDADEIRO PODER mas senta-se à mesa dos corruptos e com eles partilha os despojos, rapando os ossos ao esqueleto deste povo burro e embrutecido.
Para garantir que vai continuar burro o grande cavallia (que em português significa cavalgadura) desferiu o golpe de morte ao ensino público e coroou a acção com a criação das Novas Oportunidades.
Gente assim mal formada vai aceitar tudo e o país será o pátio de recreio dos mafiosos.
A justiça portuguesa não é apenas cega. É surda, muda, coxa e marreca.
Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com isso, apesar de pagar os custos da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrupção.
Os portugueses, na sua infinita e pacata desordem existencial, acham tudo "normal" e encolhem os ombros.
Por uma vez gostava que em Portugal alguma coisa tivesse um fim, ponto final, assunto arrumado.
Não se fala mais nisso. Vivemos no país mais inconclusivo do mundo, em permanente agitação sobre tudo e sem concluir nada.
Desde os Templários e as obras de Santa Engrácia, que se sabe que, nada acaba em Portugal, nada é levado às últimas Consequências, nada é definitivo e tudo é improvisado, temporário, desenrascado.
Da morte de Francisco Sá Carneiro e do eterno mistério que a rodeia, foi crime, não foi crime, ao desaparecimento de Madeleine McCann ou ao caso Casa Pia, sabemos de antemão que nunca saberemos o fim destas histórias, nem o que verdadeiramente se passou, nem quem são os criminosos ou quantos crimes houve.
Tudo a que temos direito são informações caídas a conta-gotas, pedaços de enigma, peças do quebra-cabeças. E habituámo-nos a prescindir de apurar a verdade porque intimamente achamos que não saber o final da história é uma coisa normal em Portugal, e que este é um país onde as coisas importantes são "abafadas", como se vivêssemos ainda em ditadura.
E os novos códigos Penal e de Processo Penal em nada vão mudar este estado de coisas. Apesar dos jornais e das televisões, dos blogs, dos computadores e da Internet, apesar de termos acesso em tempo real ao maior número de notícias de sempre, continuamos sem saber nada, e esperando nunca vir a saber com toda a naturalidade.
Do caso Portucale à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas ao primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa Benfica, da corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, da Braga Parques ao grande empresário Bibi, das queixas tardias de Catalina Pestana às de João Cravinho, há por aí alguém quem acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados, muitos alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamente punidos?
Vale e Azevedo pagou por todos?
Quem se lembra dos doentes infectados por acidente e negligência de Leonor Beleza com o vírus da sida?
Quem se lembra do miúdo electrocutado no semáforo e do outro afogado num parque aquático?
Quem se lembra das crianças assassinadas na Madeira e do mistério dos crimes imputados ao padre Frederico?
Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo padre Frederico, acabou a passear no Calçadão de Copacabana?
Quem se lembra do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça foi roubada do Instituto de Medicina Legal?
Em todos estes casos, e muitos outros, menos falados e tão sombrios e enrodilhados como estes, a verdade a que tivemos direito foi nenhuma.
No caso McCann, cujos desenvolvimentos vão do escabroso ao incrível, alguém acredita que se venha a descobrir o corpo da criança ou a condenar alguém?
As últimas notícias dizem que Gerry McCann não seria pai biológico da criança, contribuindo para a confusão desta investigação em que a Polícia espalha rumores e indícios que não têm substância.
E a miúda desaparecida em Figueira? O que lhe aconteceu? E todas as crianças desaparecida antes delas, quem as procurou?
E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, alguns menores, onde tanta gente "importante" estava envolvida, o que aconteceu?
Arranjou-se um bode expiatório, foi o que aconteceu.
E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela reconheceu imensa gente "importante", jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estão? Foram destruídas? Quem as destruiu e porquê?
E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran mais os negócios escuros do grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára?
O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da Cruz, apeado por causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha para a sua filha.
E aquele médico do Hospital de Santa Maria, suspeito de ter assassinado doentes por negligência? Exerce medicina?
E os que sobram e todos os dias vão praticando os seus crimes de colarinho branco sabendo que a justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda, coxa e marreca.
Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao esquecimento.
Ninguém quer saber a verdade.
Ou, pelo menos, tentar saber a verdade.
Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem eram as redes e os "senhores importantes" que abusaram, abusam e abusarão de crianças em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra.
Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças, de protecções e lavagens, de corporações e famílias, de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade.

Este é o maior fracasso da democracia portuguesa.

Clara Ferreira Alves - "Expresso"

6 de abril de 2010

O regresso II


o que vai ter de ser nos próximos meses!

O regresso I


e o que ficou para trás...

1 de abril de 2010

Páscoa


Ao meio dia e um minuto este blog encerra para mini férias. A sua autora e respectiva família [o puto e o gajo], partem para a casa da aldeia com galochas e camisolões. Vão viver a inolvidável experiência (que repetem com frequência) de sobreviver sem Zon, sem PC e sem telemóvel (o nosso operador não tem cobertura, iuupiii). Prometem que não vai ser a mesma coisa, porque vão ser mais felizes: vão passear no campo; “pastar” cabras e ovelhas; e aos serões vão jogar dominó, mikado e bisca. Vão comer pão acabado de sair do forno e provar o azeite novo. Vão falar (muito) e ouvir histórias antigas de quem vive noutras serras.

30 de março de 2010

O passado...




A nossa vida é a nossa história.
Sei que hoje sou o que sou porque já fui diferente.
Mas por vezes sinto estranheza por já ter vivido outras vidas, outras paixões, onde o meu marido não eras tu e o nosso filho ainda não existia.

25 de março de 2010

Eu me confesso…


Confesso que já tenho saudades das feiras urbanas, ao domingo de manhã, onde se ia com pouco dinheirito na carteira e se saía contente e feliz cheia de sacos de plástico com material de marcas bem caras. Desde que a criança nasceu nunca mais fui.

Mas, como me apetecia ter um saco de marca para a primavera/verão que se aproxima (?), comecei as minhas buscas na net para descobrir a localização da nova feira de Cascais, paraíso da contrafacção nacional para as “tecas”. As pesquisas remeteram-me para alguns blogs e o que fui lendo demoveu-me. Parece que a moda contrafeita à qual a nossa carteira ainda chegava acabou (a Asae apertou o cerco!).

Ora bolas, assim as feiras perdem a graça e o encanto, assim já não me vou cruzar com figuras públicas e do jet set nacional de saco de plástico na mão,…e sobretudo vou ficar sem o meu saco de primavera/verão estampado com os logos da moda.

Parece-me que a solução talvez seja enfiar-me num avião para Milão, para aquelas feiras maravilhosas, onde já comprei o que de melhor se faz em contrafacção no planeta, e acho que mesmo com o custo das passagens o saco dos meus sonhos ficaria mais barato que o original! Acrescendo que a minha alma ficaria lavada, pois sempre achei que Milão era a cidade com os mais belos exemplares masculinos da espécie, por metro quadrado, de toda a galáxia!

Psst: se souberem de alguma feirinha ainda à moda antiga, cheiinha de contrafacção avisem, tá?

19 de março de 2010

Obrigada L.




Obrigada L, por seres o melhor pai que podia ter escolhido para o meu filho.

18 de março de 2010

Da alma lavada no Facebook...

Ontem foi um dia bom, muito bom, pleno de afectos reencontrados.
Virtualmente reencontrei três amigas: uma que me acompanhou no princípio da adolescência e com quem partilhei projectos, sonhos e paixões; outra, amiga dos primeiros anos de trabalho, já na idade adulta, com que vivi experiencias inolvidáveis (algumas hilariantes) e momentos de crescimento únicos; e a terceira, amiga recente de projectos difíceis mas com quem facilmente estabeleci empatia e afecto.
Ontem redescobri-as no faceboock, nesse mundo virtual de vidas, consciente de que no mundo real, estes encontros e conversas não teriam sido possíveis.
Ontem reencontrei partes de mim, e histórias, e memórias, e gargalhadas e… um passado que já foi meu.
Ontem reencontrei a Cristina, a Sofia e a Carla.

Ontem foi bom, muito bom!

16 de março de 2010

Há dias...

... em que apetece enfiar a cabeça na areia.

11 de março de 2010

O puto [ e a discoteca]




Definitivamente ele cresceu.
Ele é o dono da discoteca Monix [?].
Pegou num jipe do chinês, com rodas luminosas, e pendurou-o num fio que pendia do tecto (onde antes rodopiava um Mickey no seu avião amarelo), roubou um Now da colecção do pai e pôs aos berros no seu leitor de cd’s, dos Piratas das Caraíbas, ...convidou-nos para dançar.
Quis ligar à vizinha do segundo andar [com 4 anos] para vir dançar com ele [?] mas eu [mãe precavida] não deixei com o argumento que só se pode sair para dançar ao fim-de-semana.

E ..., ... bom, tenho que ir porque me parece que o dono da discoteca está com uma enorme birra de sono e quer que a mãe lhe conte uma história….

9 de março de 2010

O PEC




Este blog não gosta do PEC.
Este blog não acredita no PEC.
Este blog vai ser prejudicado pelo PEC.
Este blog é da classe média... mas gostava de mudar!

6 de março de 2010

Este blog não está nada bem!!!


Não, não está grávido! Apenas almoçou qualquer coisa que não passaria no crivo da ASAE!
Quem lhe põe a mão na testa?

4 de março de 2010

Hoje este blog está em greve!


Hoje este blog está em greve!
Porque até pode aceitar o congelamento de salários, mas não percebe como na passada semana chegou uma nova frota de automóveis, gama alta, para os dirigentes, nem compreende porque as despesas de representação, dos mesmos, aumentaram mais de 100%.


2 de março de 2010

Sinais de... fumo?


Desligo a televisão sem compreender exactamente aquilo que acabo de ver na SIC.
Aquilo poderia ter sido uma entrevista, mas não foi. Pois se de um lado estava um potencial entrevistado, o suposto entrevistador não fez perguntas, apenas disse das suas opiniões, apresentou as suas teses e fez afirmações em nome de "quase todos os portugueses", [grupo em que supostamente me incluo, mas cujas opiniões não partilho!].
Aquilo podia ter sido um programa de autor, de opinião, mas para isso não era necessário ter lá ninguém para enxovalhar.
Aquilo podia ter sido um reality show, mas não foi porque não se bateram [ainda que fosse expectável, pois "quase todos dos portugueses" acreditam que quem não se sente não é filho de boa gente].
Aquilo podia ter sido um programa de entretenimento, mas não nos pediam para telefonar para números de valor acrescentado.

Aquilo é fumo, sem fogo. [E, ou muito me engano ou, vai-se extinguir com as próximas chuvas].
Aquilo não pode ser verdade.
Aquilo foi uma enorme mentira.

Aquilo foi uma palhaçada!
(afirmação inspirada em frase produzida por ilustre deputada do PSD, na Assembleia da República, na presente legislatura).

1 de março de 2010

Miminhos!


Para as minhas amigas que gostam de sapatos abstrusos!
(estes, pelo menos, são adequados à maravilhosa época das chuvas em que vivemos mergulhadas!)
Beijos

28 de fevereiro de 2010

Ontem!



Este blog fez ontem 3 anos, e eu nem me lembrei!

A chuva leva-me a alma, a memória e a paciência.

Vamos?


Vamos partir para um sítio com sol?
Vamos ter uma aventura num planeta em que a natureza não esteja zangada?
Vamos de coração aberto e com olhos de criança?
Vamos?
[estou tão cansada deste quotidiano húmido e gelado!]

24 de fevereiro de 2010

Para a Madeira, com amor.

Há pessoas a quem o inusitado paralisa, há outras que tomam verdadeiras doses de adrenalina e depois há …o Alberto. O homem que deu uma entrevista onde até parecia um político da república (esta expressão enerva-me, então as regiões autónomas são monarquias?) a dizer que está tudo esquecido e que o senhor primeiro-ministro é um amigo e o que lá vai, lá foi… (suspendo a respiração e penso que desta é que enlouqueceu, ou melhor, ficou normal) mas eis que no fim da entrevista se vira furiosamente contra os “verdes”, porque afinal as pedras rolaram levadas abaixo pois o raio daquela rapaziada não as deixou tirar de lá, e se não tivera mandado desviar as ribeiras dos seus leitos naturais a desgraça teria sido maior, e guinchou, e espumou e voltou ao seu normal (e eu voltei a respirar -porque ele voltou ao normal, e se ele voltou tudo voltará- ainda que com o coração apertado de assistir horrorizada aquelas imagens brutais).
Mas voltando ao homem, reconheço que se tem mostrado um bom organizador (dentro do género): o homem põe toda a gente a trabalhar 24 sobre 24 horas e com contratos firmados na palavra, o homem não hesita em decidir fazer mais um túnel e um bairro de 25 ou 26 casas, para já, e sem discussão (como se a coisa fosse tão fácil como ir beber uma poncha no bar da esquina), porque afinal o homem não está para andar ao estalo com a natureza (adorei esta imagem brilhante produzida pelo homem).

O homem é sui generis, mas eu até consigo perceber porque é que os madeirenses o reelegem: o raio do homem não tem medo de tomar decisões, (como se o financiamento fosse coisa de menor importância), há nele uma virilidade atroz!
E tal como todo o pessoal desta "républica continental" quero lá ir, em Abril, para a festa da Flor!

14 de fevereiro de 2010

6 anos de um amor maior


Faz hoje 6 anos que te ouvi chorar pela primeira vez, ainda dentro da mim, quando a Paula com gestos meigos mas assertivos te colocava em melhor posição para te retirar da minha barriga aberta num sorriso metálico.
Faz hoje 6 anos que eu e o pai (e toda a equipa que estava no bloco) te escolhemos o nome no preciso instante em que te pousaram sobre o meu peito.
Faz hoje 6 anos que todos os médicos da sala ficaram à espera que o pai desmaiasse e ele, em vez disso, fez a mais bonita reportagem fotográfica da sua vida.
Faz hoje 6 anos que me apaixonei por ti!

12 de fevereiro de 2010

Desinteligência!


Palermas, palermas, palermas...


Então a chuva nunca mais acaba e este gajos põe uma providência cautelar ao SOL!

10 de fevereiro de 2010

Se fosse eu!



Eu sei que sou persistente, convencida, assertiva... teimosa que nem uma mula.
Mas, se pusessem constante e publicamente em causa o meu carácter, afirmando que eu tinha tirado a minha licenciatura por fax, ao fim-de-semana, que andava metida, com a minha família, em negociatas com estrangeiros e construtores civis, que era uma mentirosa e uma manipuladora e, ainda por cima, quase uma fascista pidesca que "eliminava" aqueles que não gostavam de mim e o diziam publicamente.
Se a juntar a tudo isso, ainda andassem por aí a mostrar os meus projecto antigos, de quando eu não sabia fazer nada. Juro que se fosse tudo falso, mentira, não conseguiria aguentar tanta pressão, tanta injustiça, tanto desamor, e já tinha emigrado (talvez para a Bélgica), porque esta gentalha tacanha não me mereceria.
Agora, se as acusações fossem verdadeiras... a decisão seria difícil...talvez o primeiro instinto fosse o da sobrevivência, o da negação, o de assobiar para o ar e tentar manter-me à tona, se necessário talvez vitimizar-me, mas consciente que para aguentar teria de conspirar cada vez mais o que aumentaria a minha fragilidade mascarada de força...
Mas isto sou eu a falar, é claro.
Cada um sabe de si.

9 de fevereiro de 2010

Não quero um problema [2]



Senhores do poder, porque não quero um novo problema (já me chega o das vírgulas), na quinta-feira lá estarei, de branco, nas escadas da AR.

Não é por nada, mas não gosto de ver palavras ,escritas ou ditas, esborratadas a azul!



Tenho um problema [1]


Clara e definitivamente aceite: tenho um problema com (de) vírgulas!

Depois de 8 horas a corrigir a tese, onde sobretudo faltam vírgulas, assumo e penitencio-me pela questão.


Vou ter de ler (de novo) a obra de Saramago para ver se desta aprendo!

1 de fevereiro de 2010

Olhos d'água


Foi na sexta para casa dos avós porque sábado era dia de grande barafunda com a mudança da “montra” da sala (adorei esta terminologia do pessoal da vidroforense). Ontem fomos buscá-lo. Vem sempre de beicinho, aliás há um ano, ano e meio, chorava baba e ranho o caminho todo até Lisboa, queria voltar para trás. Mas ontem deu-nos abraços apertados quando chegámos, veio pelo caminho conversador e com um sorriso nos lábios e antes de ir para a cama veio ter comigo à cozinha, agarrou-se-me às pernas com os olhos marejados de lágrimas. Pus-me de joelhos a imaginar que o drama era o do costume, as saudades do miminho da avó. Mas não, disse-me que tinha vontade de chorar porque estava muito feliz por estar de novo em casa, connosco. Mordi o lábio para não ficar eu a chorar. Fui pô-lo na cama e ler uma história, dei-lhe milhões de beijos e depois fui ao escritório para contar ao pai, como o nosso menino está crescido, e desatei num pranto.

30 de janeiro de 2010

Vida doméstica.

Ao fim de um ano é dia de mudar a parede da sala que estava rachada.

Tenho a casa gelada. Mas vou ficar com a alma lavada.

Vou voltar a ver o céu sem umas riscas pelo meio.

28 de janeiro de 2010

Ódios


Pronto, assumo.
Sou uma gaja de grandes afectos: ora amo indubitavelmente uns, para sempre, ora alimento ódios de estimação até à eternidade.
E hoje estou em dia de ódios, e fico a sonhar em pertencer à Máfia ou à ETA e mandar gastar umas balas e uns explosivos nuns seres e coisas que me incomodam.

Então aqui está uma pequena lista de ódios (tenho que aliviar o fígado e os blogs também servem para isso),- mas atenção, se lhes acontecer alguma coisa a culpa não é minha!- :
-odeio os meus vizinhos, a sua cadela uivadora, as suas festas, as suas discussões e os seus filhos adolescentes e a sua aparelhagem sonora;
-odeio um certo convento gelado nas portas da cidade (a sua localização afecta a minha saúde mental, por isso bomba ou um qualquer desastre natural: incêndios, tornados, sismos!);
- odeio o cheiro a lareiras que invade o bairro, mesmo nas noites em que estão 15ºC, o que me obriga a lavar não sei quantas vezes a mesma roupa se não chega ninguém a casa antes de anoitecer para a salvar do estendal.
-odeio os “sapos” da Emel, em particular, e a Emel no geral. Que raio, comprei casa no centro de Lisboa, contribuo para manter a cidade viva, paguei muito mais por menos área e supostamente para ter mais qualidade de vida, por isso devia poder estacionar na minha cidade. Que paguem estacionamento aqueles que optaram por viver fora e entopem a cidade diariamente;
-odeio as seniores reformadas que vão para o cabeleireiro, justamente, ao sábado de manhã quando tem todos os dias da semana livres. Odeio, ainda mais, as que resolvem ir ao supermercado depois do cabeleireiro;
-odeio aqueles rapazes e raparigas que distribuem jornais grátis e insistem estupidamente (e com risco da sua vida, naquilo que me diz respeito) em manter-se a distribuir os seus papeluchos na faixa de rodagem com o semáforo já verde;
-odeio os pais dos colegas do meu filho que têm a suprema lata de parar o carro no meio da rua (de uma única faixa) para irem levantar os seus pequenotes, que não podem ser boa gente com tão maus exemplos na família (por isso, o puto muda para o ano, para um colégio com parque de estacionamento, antes que eu um dia alugue uma chaimite e passe uns quantos audis e bms a ferro!)
- mas o rei dos meus ódios continua a ser o senhor presidente da câmara, a quem junto os arquitectos do projecto do terreiro do paço. A ideia de colocar passadeira de peões de dez em dez metros, arrematada com uma muito muito larga frente ao cais das colunas, sem semáforos, é simplesmente brilhante! inteligente! maravilhosa! Agora paramos de segundo a segundo ou atropelamos alguém (o raio dos peões não são capazes de se organizar em grupinhos ordeiros!). Claro que se fosse o próprio do presidente a atravessar à minha frente o meu carro teria certamente um problema de travões. Também foi muito simpático colocar empedrado na faixa de rodagem, dá imenso jeito, sobretudo em dias de chuva. (as obras do terreiro do paço só mesmo sismo seguida de marmoto, não encontro outra solução!!!)
-já agora, odeio chuva!

Huuuhfffff! Odiar cansa!

27 de janeiro de 2010

Morre lentamente....

Morre lentamente quem não viaja,
quem não lê,
quem não ouve música,
quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere O "preto no branco"
e os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
justamente as que resgatam brilho nos olhos,
sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da Chuva incessante,
desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!

Pablo Neruda

Obrigado A.L. pela mensagem de correio electrónico com este poema.