18 de junho de 2007

Passeio ao campo

Este fim-de-semana fui passear ao campo.
Assumo, à partida, que sou um ser urbano e o meu horizonte é o mar. Cresci na cidade que tem uma das dez mais belas baías do mundo e onde a serra é de mato rasteiro com cheiro a mediterrâneo.
As serranias beirãs são relativamente recentes na minha vida e nelas não consigo encontrar encanto. Mas nas relações (dizem os teóricos e aprendi eu na vida) é importante ceder, dar espaço ao outro, negociar os destinos…E então lá fui (mais uma vez)!
As serras deprimem-me, corta-me horizontes, não me deixa ver para além delas. As árvores tornam as estradas escuras e frias, as casas geladas e as pessoas distantes. O xisto que tudo envolve arranha-me, por mais que eu queira amar aqueles lugares e aquelas gentes. A aldeia cheira a morte. Os velhos enchem as soleiras das portas ou arrastam os seus pertences agrícolas pelas ruas, os mais novos que sobram, os que não partiram, nem para França, nem ao menos para Lisboa, encostam os abdómenes dilatados ao balcão do café, enquanto seguram em garrafas de cerveja, com o mesmo bem-querer com que uma criança aperta a chupeta que a consola. O verde destas serras não me distrai, não me encanta, aqui só consigo ver tristeza e miséria.

Lamento, mas o meu caminho é para Sul…

3 comentários:

Anónimo disse...

Ó menina, as serras não são assim tão más, e a chanfana, o arroz doce e a tigelada!

Xanuca B disse...

olá!

A chanfana vale a pena, agora ao arroz faltam os ovos, a tigelada enjoa, mas valeram as cerejas!

Anónimo disse...

...como eu a percebo, sem praia e mar como é possível viver?