16 de outubro de 2013

#porquejánãoaguentomais#

Quando ela começou a falar saí da sala.
[Apenas reparei que tinha o cabelo lavado, ao contrário de domingo quando pingava óleo.]

Não a quis ouvir como também não quero ir ao médico para que me comunique que tenho um cancro terminal. É o mesmo principio: evitar a morte.
Não me apetece ser masoquista (e não é só para agradar ao senhor presidente desta Republica) é mesmo só porque acho que estou no limite da pobreza que aguento.

Em janeiro logo se verá! Se houver janeiro.

Nota: - Já sabem que nunca escrevo P.S. pela conotação política -  os meus sonhos andam povoados de bombas, explosões, sangue, revoltas... eu sei que ando a ler Ken Follett mas não sei se segundo a interpretação Freudiana a causa será única.

20 de setembro de 2013

#fartadacrise#

Estou exausta de tanto elogio à pobreza.
Sem vergonha, assumo que tenho muitas saudades da minha vida pequeno burguesa.
Ser classe média (muito média)  e manter os gostos de uma vida inteira ....é tão difícil!

19 de setembro de 2013

#porqueadiscriminaçãomeirrita#


Qualquer mulher que se preze cancela de imediato o seu seguro OK!. Aqui está um mau exemplo de discriminação. Estúpidos.

17 de setembro de 2013

#porquesim#



Porque alguém [muito querido] me perguntou por ele.
Porque tenho saudades.
Porque as palavras nunca estão acabadas.

 Porque chegou setembro.

Porque sim!

# porquejátenhosaudadesde blogar#porqueestetextoestábrilhante#

Não confio na minha geração nem para se governar a si própria. E temo pela que se segue.
Filhos do 25 de Abril
26/04/2013 | 00:02 | Dinheiro Vivo

A geração que fez o 25 de Abril era filha do outro regime. Era filha da ditadura, da falta de liberdade, da pobre e permanente austeridade e da 4.ª classe antiga.
Tinha crescido na contenção, na disciplina, na poupança e a saber (os que à escola tinham acesso) Português e Matemática.
A minha geração era adolescente no 25 de Abril, o que sendo bom para a adolescência foi mau para a geração.
Enquanto os mais velhos conheceram dois mundos – os que hoje são avós e saem à rua para comemorar ou ficam em casa a maldizer o dia em que lhes aconteceu uma revolução – nós nascemos logo num mundo de farra e de festa, num mundo de sexo, drogas e rock & roll, num mundo de aulas sem faltas e de hooliganismo juvenil em tudo semelhante ao das claques futebolísticas mas sob cores ideológicas e partidárias. O hedonismo foi-nos decretado como filosofia ainda não tínhamos nem barba nem mamas.
A grande descoberta da minha geração foi a opinião: a opinião como princípio e fim de tudo. Não a informação, o saber, os factos, os números. Não o fazer, o construir, o trabalhar, o ajudar. A opinião foi o deus da minha geração. Veio com a liberdade, e ainda bem, mas foi entregue por decreto a adolescentes e logo misturada com laxismo, falta de disciplina, irresponsabilidade e passagens administrativas.
Eu acho que minha geração é a geração do “eu acho”. É a que tem controlado o poder desde Durão Barroso. É a geração deste primeiro-ministro, deste ministro das Finanças e do anterior primeiro-ministro. E dos principais directores dos media. E do Bloco de Esquerda e do CDS. E dos empresários do parecer – que não do fazer.
É uma geração que apenas teve sonhos de desfrute ao contrário da outra que sonhou com a liberdade, o desenvolvimento e a cidadania. É uma geração sem biblioteca, nem sala de aula mas com muita RGA e café. É uma geração de amigos e conhecidos e compinchas e companheiros de copos e de praia. É a geração da adolescência sem fim. Eu sei do que falo porque faço parte desta geração.
Uma geração feita para as artes, para a escrita, para a conversa, para a música e para a viagem. É uma geração de diletantes, de amadores e amantes. Foi feita para ser nova para sempre e por isso esgotou-se quando a juventude acabou. Deu bons músicos, bons actores, bons desportistas, bons artistas. E drogaditos. Mas não deu nenhum bom político, nem nenhum grande empresário. Talvez porque o hedonismo e a diletância, coisas boas para a escrita e para as artes, não sejam os melhores valores para actividades que necessitam disciplina, trabalho, cultura e honestidade; valores, de algum modo, pouco pertinentes durante aqueles anos de festa.
Eu não confio na minha geração nem para se governar a ela própria quanto mais para governar o país. O pior é que temo pela que se segue. Uma geração que tem mais gente formada, mais gente educada mas que tem como exemplos paternos Durão Barroso, Santana Lopes, José Sócrates, Passos Coelho, António J. Seguro, João Semedo e companhia. A geração que aí vem teve-nos como professores. Vai ser preciso um milagre. Ou então teremos que ressuscitar os velhos. Um milagre, lá está.
Pedro Bidarra
Publicitário, psicossociólogo e autor
Escreve à sexta-feira
Escreve de acordo com a antiga ortografia

22 de abril de 2013

Solidariedade

 Nada como encontar outras que sofrem as mesmas dores . Ou as dores serão geracionais?

4 de abril de 2013

Post-it

Depois do escândalo Jèrôme Cahuzac, em França, há muito pouco a dizer sobre as pessoas que fazem política.


Enquanto ontem assistia, ainda assim, incrédula, às imagens da sua negação veemente da provada verdade, não pude deixar de me questionar sobre o momento X em que uma pessoa abandona a sua ética em troca de milhões e continua a mentir e a negar a provada evidência.

Será que a mim me aconteceria o mesmo se estivesse naquelas circunstâncias?

Ou será que a todos estes senhores/senhoras faltou um avô, como o meu, para quem a ética era a única lei da vida, absolutamente, incontornável?

20 de março de 2013

19 de março

Fico sempre enternecida quando os vejo, aos dois, entre legos e ferramentas a sério.
E também, quando enfiam a cabeça no aquário a discutir espécies de peixes e micoses, quando mexem na terra dos vasos de terraço ou quando adormecem juntos no sofá a ver futebol.
E até mesmo, quando ficam os dois a bater o pé na porta das lojas de roupa onde entro (e não consigo comprar nada com tanta pressão).
Adoro vê-los juntos.
Tão iguais e tão diferentes, como só pai e filho podem ser.
E comovo-me.




E orgulho-me de mim, porque consegui dar ao meu filho um pai.
O pai que não tive.

A Fé dos Homens


Francisco é fé e esperança para muitos.

Eu, tenho acompanhado com o distanciamento necessário, de quem não nasceu com o dom da fé (e foi a Roma e não pisou convictamente solo da cidade do Vaticano), esta euforia [de vontade] de mudança de uma igreja milenar.

Anuncia-se que Francisco as fará no seu comportamento e nas suas palavras.

Vejo, no entanto, as imagens do seu entronizamento, e duvido!
A homilia é sobre pobres, como fica bem. Mas as mulheres mais poderosas do mundo continuam de negro e de cabelos cobertos perante uma religião que teme reconhecer que nas mulheres subjaz o poder primordial [nelas está o princípio de todo o ser].

 Fico, no entanto com uma certeza, este Papa é o sonho de qualquer terrorista, franco-atirador, ou fanático e o pesadelo, mais negro, de qualquer segurança.

Aguardo os próximos episódios.
Gostaria muito mais, que fossem de mudança: em relação ao divórcio, ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, ao papel da mulher na igreja e no mundo, aos contracetivos, ao fim do celibato obrigatório dos padres católicos, ao reconhecimento do preservativo como meio de prevenção das DST, do que de Francisco num banho de sangue.
Mas temo que o segundo cenário seja mais provável que o primeiro.

Temo.

 

11 de março de 2013

Pensar 2...(ainda não é taxado!)


Se há matéria que me preocupa é esta.
E vejo tanto desinteresse...

Pensar 1...(ainda não é taxado!)


Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas
esquecendo que a sociedade é feita de pessoas.

Recentemente, ficámos a saber, através do primeiro estudo
epidemiológico nacional de Saúde Mental, que Portugal é o país da
Europa com a maior prevalência de doenças mentais na população. No
último ano, um em cada cinco portugueses sofreu de uma doença
psiquiátrica (23%) e quase metade (43%) já teve uma destas
perturbações durante a vida.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque assisto com
impotência a uma sociedade perturbada e doente em que violência,
urdida nos jogos e na televisão, faz parte da ração diária das
crianças e adolescentes. Neste redil de insanidade, vejo jovens
infantilizados incapazes de construírem um projecto de vida, escravos
dos seus insaciáveis desejos e adulados por pais que satisfazem todos
os seus caprichos, expiando uma culpa muitas vezes imaginária. Na
escola, estes jovens adquiriram um estatuto de semideus, pois todos
terão de fazer um esforço sobrenatural para lhes imprimirem a vontade
de adquirir conhecimentos, ainda que estes não o desejem. É natural
que assim seja, dado que a actual sociedade os inebria de direitos,
criando-lhes a ilusão absurda de que podem ser mestres de si próprios.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque, nos últimos quinze
anos, o divórcio quintuplicou, alcançando 60 divórcios por cada 100
casamentos (dados de 2008). As crises conjugais são também um reflexo
das crises sociais. Se não houver vínculos estáveis entre seres
humanos não existe uma sociedade forte, capaz de criar empresas
sólidas e fomentar a prosperidade. Enquanto o legislador se entretém
maquinalmente a produzir leis que entronizam o divórcio sem culpa,
deparo-me com mulheres compungidas, reféns do estado de alma dos
ex-cônjuges para lhes garantirem o pagamento da miserável pensão de
alimentos.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque se torna cada vez
mais difícil, para quem tem filhos, conciliar o trabalho e a família.
Nas empresas, os directores insanos consideram que a presença
prolongada no trabalho é sinónimo de maior compromisso e
produtividade. Portanto é fácil perceber que, para quem perde cerca de
três horas nas deslocações diárias entre o trabalho, a escola e a
casa, seja difícil ter tempo para os filhos. Recordo o rosto de uma
mãe marejado de lágrimas e com o coração dilacerado por andar tão
cansada que quase se tornou impossível brincar com o seu filho de três
anos.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque a taxa de
desemprego em Portugal afecta mais de meio milhão de cidadãos. Tenho
presenciado muitos casos de homens e mulheres que, humilhados pela
falta de trabalho, se sentem rendidos e impotentes perante a maldição
da pobreza. Observo as suas mãos, calejadas pelo trabalho manual,
tornadas inúteis, segurando um papel encardido da Segurança Social.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque é difícil aceitar
que alguém sobreviva dignamente com pouco mais de 600 euros por mês,
enquanto outros, sem mérito e trabalho, se dedicam impunemente à
actividade da pilhagem do erário público. Fito com assombro e
complacência os olhos de revolta daqueles que estão cansados de
escutar repetidamente que é necessário fazer mais sacrifícios quando
já há muito foram dizimados pela praga da miséria.

Finalmente, interessa-me a saúde mental de alguns portugueses com
responsabilidades governativas porque se dedicam obsessivamente aos
números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de
pessoas. Entretanto, com a sua displicência e inépcia, construíram um
mecanismo oleado que vai inexoravelmente triturando as mentes sãs de
um povo, criando condições sociais que favorecem uma decadência
neuronal colectiva, multiplicando, deste modo, as doenças mentais.

E hesito em prescrever antidepressivos e ansiolíticos a quem tem o
estômago vazio e a cabeça cheia de promessas de uma justiça que se
há-de concretizar; e luto contra o demónio do desespero, mas sinto uma
inquietação culposa diante destes rostos que me visitam diariamente.

Pedro Afonso
Médico Psiquiatra
In Público

7 de março de 2013

desaparecer

que campanha fantasticamente brutal!
mas nunca tão brutal quando a realidade vivida.
Perder um filho é de fato deixar de existir.


Hugo

gosto, naturalmente, de loucos
empatizo com gente que tem sentido de humor
sempre admirei pessoas de convicções (ainda que discutíveis)

por isso acompanhava, com interesse, o Hugo desde a sua chegada ao poder.
transparecia  nele uma infantilidade imberbe ao acreditar na  força da revolução,
nos seus longos discursos (alguns absolutamente hilariantes) havia a convicção do menino que quer ser um Zorro, ainda que depois o homem e os desvarios do poder pudessem contradizer a inocência primordial dos seus ideais.

como homem que era, adoeceu e morreu.
como personagem que foi permanecerá um mito.
será para sempre um fazedor da revolução (qualquer que ela seja)



março

Março é o mês da dieta.
O mês em que se troca qualquer comida por uma folha de alface e um copo de água.
As férias, o bikini, a praia, as farras com os amigos, a vida boa... anunciam-se.
Mas este março 2013 é traidor...
É impossível não mergulhar num chocolate quente, num pão de Deus, numa feijoada, em tortas de Azeitão... com este frio, esta chuva e esta depressão coletiva.

Para quê emagrecer se não se vislumbra o verão?


20 de fevereiro de 2013

O [grande] escândalo

A mulher do neto da rainha de Inglaterra está grávida.


Parece que foram de férias para a praia. (quem pode, pode e eu também lá estaria de bom gosto).

A jovem orgulhosa da sua gravidez exibe-a, e muito bem, que está com um corpo fantástico.

O neto da rainha de Inglaterra e a sua mulher são figuras públicas e sabem que, naturalmente, são perseguidos pela imprensa.

Ora, no meio de tanta normalidade onde está o escândalo? O que choca os britânicos? A natural gravidez? as óbvias fotos? ou a jovem que orgulhosa exibe o seu corpo impecável?

Que estranho é aquele povo!

(claro que é um povo estranho se ainda alimenta uma monarquia! – com esta constatação este post torna-se inútil!!!)

   

14 de fevereiro de 2013

No dia do amor...


Faz hoje 9 anos que te ouvi chorar pela primeira vez, ainda dentro da mim, quando a Paula com gestos meigos, mas assertivos, te colocava na melhor posição para te retirar da minha barriga aberta num sorriso metálico.
Faz hoje 9 anos que eu e o pai [e toda a equipa que estava no bloco] te escolhemos o nome no preciso instante em que te pousaram sobre o meu colo.
Faz hoje 9 anos que todos os médicos da sala ficaram à espera que o pai desmaiasse e ele, em vez disso, fez a mais bonita reportagem fotográfica da sua vida.
Faz hoje 9 anos que senti que toda a responsabilidade do mundo me tinha caído em cima

 

Faz hoje 9 anos que me apaixonei por ti!

 

[e o dia de São Valentim se tornou apenas o dia de te comemorar!]

 

29 de janeiro de 2013

falácias




Ontem numa reunião do colégio do meu filho um pedagogo referia no meio da sua palestra: “…os pais são a sua (dos filho) inspiração, o seu exemplo, a sua verdade”…


Fiquei presa naquela frase…acho que já não ouvi mais nada…

Como raio é que consegui crescer?

27 de janeiro de 2013

experiências


há dias em que fingimos ser outra pessoa. não por obrigação ou necessidade mas por pura curiosidade,

por vontade de quebrar rotinas,

de viver outras vidas, tal qual um ator que representa um papel.

hoje tentei ser uma pessoa que sabe cozinhar.

hum…não correu bem.

este não é o meu papel.

por mais que tente!

 

14 de janeiro de 2013

Desejos para 2013



A Pepa quer comprar  uma carteira Chanel em 2013...
Pois eu, quero beber litros e litros de bling. É muito mais caro e muito mais saudável :)

Também gostava muito de me aposentar...

Volto já! Tenho que ir falar com a Ana Teresa Vicente.

8 de janeiro de 2013

Igualdade Ministerial

 Os jornais falam da gravidez de Assunção, desenham cenários, avaliam os custos e potencias estratégias a adotar pelo Governo.
Mas o que há de estranho no fato de uma mulher em idade fértil estar grávida?
Não consigo perceber ...
Só porque a Assunção, por acaso, trabalha como ministra, é razão para tanta confusão?
Quantos homens, enquanto trabalharam como ministros, foram pais? Algum deu noticia de jornal?

É fácil falar, em teoria, em igualdade de oportunidade e em parentalidade partilhada, não é?
Mas a prática, senhores, a prática... é outra coisa...

4 de janeiro de 2013

Também posso?

Gérard Depardieu recebe cidadania russa em apenas duas semanas

3 de janeiro de 2013

reencontro


Não sentia este ano como "um bom ano"... até que (na rua) te reencontrei...

Obrigada Universo.

2 de janeiro de 2013

2013

chegou.... em pontas, para não me acordar...
eu, calei o choro e fingi que dormia para não ter sequer que o cumprimentar...

2 de setembro de 2012

Preguiça

as cores do verão enche-me de preguiça
e a praia, e os livros, e as esplanada, e as jantaradas, e as viagens,
e o meu filho a tempo inteiro,

tudo me afasta das teclas...

tudo, tudo...


com o aconchego da lareira certamente volto ....

25 de julho de 2012

Nós


Não somos o casal maravilha. Que a vida nos livre disso que deveria de ser um tédio. Somos, julgo eu, absolutamente normais.

Nem sempre ouvimos as mesmas canções, não lemos os mesmos livros, também não gostamos dos mesmos canais de televisão, temos pressupostos ético-religiosos diferentes, (para não dizer diametralmente opostos) o que fez com que nunca concordássemos em nenhuma das matérias que foram a referendo neste país.

Mas partilhamos, até agora, os valores essências: entendemos do mesmo modo o que deve ser uma relação, somos absolutamente consonantes na educação da cria, adoramos ser profundamente íntimos, respeitamos as nossa individualidade, não temos qualquer dificuldade em entender a necessidade do espaço e de liberdade do outro e conseguimos tornar as nossas diferenças em desafios intelectuais que muitas vezes terminam em gargalhadas (embora também não partilhemos o mesmo tipo de humor) acho até que teríamos futuro na carreira diplomática (desde que não tivéssemos de trabalhar um com o outro).

Assim, cá em casa trocam-se muitas opiniões, discorda-se, mas raramente se discute. E poderia até nunca se discutir que não houvessem dois temas que nos fazem levantar a voz, utilizar termos mais escabrosos e até bater com as portas (o limite dos limites!) : a arrecadação e a família.

Com estes o consenso nunca é possível!

Para mim a arrecadação deveria ser um espaço de arrumação minimalista porque acredito mas leis universais do eterno fluir e nos princípios do dar, do deitar fora, da limpeza e do asseio, para ele, a arrecadação é a tulha alimentada pela sua faceta máscula ancestral de caçador-recoletor, no âmbito de uma filosofia, talvez agora, hiper-ecológica de que tudo pode ser aproveitado, tudo pode vir a fazer falta, tudo pode ser empilhado! (tenho que dar a mão à palmatória pois talvez 2% do material que me impede de entrar na arrecadação já foi necessário em uma ou noutra ocasião – mas isso compensará?).

O outro assunto, é mesmo O ASSUNTO, aquele que nos opõe como dois Pit Bull em arena de competição: a família.

A minha família só tem 3 elementos. A minha família somos nós e a cria.
E a minha família alargada é composta por aqueles de quem gosto e pelos meus amigos, aqueles que acorreria em qualquer circunstância e que sei que o fariam por mim com o mesmo amor. Para ele, a família somos nós mais os do seu sangue, cabem pais, irmãos, irmãs, tios, sobrinhos e sei lá mais o quê… e aqui começa a discórdia que se acentua sobretudo em períodos festivos como o Natal, a Páscoa e agora as férias grandes. O que para mim são períodos a passar a três ou com amigos para ele são épocas de se reunir aos do seu sangue.
Eu, que não entendo, por experiência de vida, essa coisa do sangue (o meu padrasto, que adoro, não partilha necessariamente o meu sangue mas partilhamos o mesmo feitio, o meu tio favorito, que me deu os melhores abraços do mundo, era-o por afinidade, a minha irmã é orgulhosamente filha de outro pai e de outra mãe) tenho muita dificuldade neste conceito de afeto que nasce de uma família imposta porque por acaso se descendeu do cruzamento remoto de um óvulo e de um espermatozóide… que estranho que isso é!

Nos próximos dias vem aí muita discussão. (desculpem lá vizinhos!)

24 de julho de 2012

Angústia I


Passo um ano inteirinho a invejar as minhas amigas sem filhos.
Como desejo as viagens, o silêncio, os livros, o cinema, os museus, as esplanadas, o sono,  a LIBERDADE!
Mas hoje, 24 horas depois de o ter deixado nos avós, estou enrolada no sofá com a vida vazia...
Sou mesmo uma adita deste meu filho!

20 de julho de 2012

as palavras certas...

O Valioso Tempo dos Maduros

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a
frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói
o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando
seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos
inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da
idade cronológica, são imaturos.
Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo majestoso cargo de
secretário geral do coral.
'As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos'.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha
alma tem pressa...
Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito
humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se
considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade,
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,
O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial !


Mário de Andrade

3 de julho de 2012

Aventura dentro do comunismo real

Terça-feira, 29.05.12
"Dizem-se muitas mentiras acerca da Festa do Avante! Estas são as mais populares: que é irrelevante; que é um anacronismo; que é decadente; que é um grande negócio disfarçado de festa; que já perdeu o conteúdo político; que hoje é só comes e bebes.
Já é a segunda vez que lá vou e posso garantir que não é nada dessas coisas e que não só é escusado como perigoso fingir que é. Porque a verdade verdadinha é que a Festa do Avante faz um bocadinho de medo.
O que se segue não é tanto uma crónica sobre essa festa como a reportagem de um preconceito acerca dela - um preconceito gigantesco que envolve a grande maioria dos portugueses. Ou pelo menos a mim.
Porque é que a Festa do Avante faz medo?
É muita gente; muita alegria; muita convicção; muito propósito comum. Pode não ser de bom-tom dizê-lo, mas o choque inicial é sempre o mesmo: chiça! Afinal os comunistas são mais que as mães. E bem-dispostos. Porquê tão bem dispostos? O que é que eles sabem que eu ainda não sei?
É sempre desconfortável estar rodeado por pessoas com ideias contrárias às nossas. Mas quando a multidão é gigante e a ideia é contrária é só uma só – então, muito francamente, é aterrador.
Até por uma questão de respeito, o Partido Comunista Português merece que se tenha medo dele. Tratá-lo como uma relíquia engraçada do século XX é uma desconsideração e um perigo. Mal por mal, mais vale acreditar que comem criancinhas ao pequeno-almoço.
Bem sei que a condescendência é uma arma e que fica bem elogiar os comunistas como fiéis aos princípios e tocantemente inamovíveis, coitadinhos.
É esta a maneira mais fácil de fingir que não existem e de esperar, com toda a estupidez que, se os ignoramos, acabarão por se ir embora.
As festas do Avante, por muito que custe aos anticomunistas reconhecê-lo, são magníficas.
É espantoso ver o que se alcança com um bocadinho de colaboração. Não só no sentido verdadeiro, de trabalhar com os outros, como no nobre, que é trabalhar de graça.
A condescendência leva-nos a alvitrar que “assim também eu” e que as festas dos outros partidos também seriam boas caso estivessem um ano inteiro a prepará-las. Está bem, está: nem assim iam lá. Porque não basta trabalhar: também é preciso querer mudar o mundo. E querer só por si, não chega. É preciso ter a certeza que se vai mudá-lo.
Em vez de usar, para explicar tudo, o velho chavão da “capacidade de organização” do velho PCP, temos é que perguntar porque é que se dão ao trabalho de se organizarem.
Porque os comunistas não se limitam a acreditar que a história lhes dará razão: acreditam que são a razão da própria história. É por isso que não podem parar; que aguentam todas as derrotas e todos os revezes; que são dotados de uma avassaladora e paradoxalmente energética paciência; porque acreditam que são a última barreira entre a civilização e a selvajaria. E talvez sejam. Basta completar a frase "se não fossem os comunistas, hoje não haveria"... e compreende-se que, para eles, são muitas as conquistas meramente "burguesas" que lhes devemos, como o direito à greve e à liberdade de expressão.
É por isso que não se sentem “derrotados”. O desaparecimento da URSS, por exemplo, pode ter sido chato mas, na amplitude do panorama marxista-leninista, foi apenas um contratempo. Mas não é só por isso que a Festa do Avante faz medo. Também porque é convincente. Os comunas não só sabem divertir-se como são mestres, como nunca vi, do à-vontade. Todos fazem o que lhes apetece, sem complexos nem receios de qualquer espécie. Até o 'show off' é mínimo e saudável.
Toda a gente se trata da mesma maneira, sem falsas distâncias nem proximidades. Ninguém procura controlar, convencer ou impressionar ninguém. As palavras são ditas conforme saem e as discussões são espontâneas e animadas. É muito refrescante esta honestidade. É bom (mas raro) uma pessoa sentir-se à vontade em público. Na Festa do Avante é automático.
Dava-nos jeito que se vestissem todos da mesma maneira, dissessem e fizessem as mesmas coisas - paciência. Dava-nos jeito que estivessem eufóricos; tragicamente iluminados pela inevitabilidade do comunismo - mas não estão. Estão é fartos do capitalismo - e um bocadinho zangados.
Não há psicologias de multidões para ninguém: são mais que muitos, mas cada um está na sua. Isto é muito importante. Ninguém ali está a ser levado ou foi trazido ou está só por estar. Nada é forçado. Não há chamarizes nem compulsões. Vale tudo até o aborrecimento. Ou seja: é o contrário do que se pensa quando se pensa num comício ou numa festa obrigatória. Muito menos comunista.
Sabe bem passear no meio de tanta rebeldia. Sabe bem ficar confuso. Todos os portugueses haviam de ir de cinco em cinco anos a uma Festa do Avante, só para enxotar estereótipos e baralhar ideias. Convinha-nos pensar que as comunas eram um rebanho mas a parecença é mais com um jardim zoológico inteiro. Ali uma zebra; em frente um leão e um flamingo; aqui ao lado uma manada de guardas a dormir na relva.
Quando se chega à Festa o que mais impressiona é a falta de paranóia. Ninguém está ansioso, a começar pelos seguranças que nos deixam passar só com um sorriso, sem nos vasculhar as malas ou apalpar as ancas. Em matéria de livre trânsito, é como voltar aos anos 60.
Só essa ausência de suspeita vale o preço do bilhete. Nos tempos que correm, vale ouro. Há milhares de pessoas a entrar e a sair mas não há bichas. A circulação é perfeitamente sanguínea. É muito bom quando não desconfiamos de nós.
Mesmo assim tenho de confessar, como reaccionário que sou, que me passou pela cabeça que a razão de tanta preocupação talvez fosse a probabilidade de todos os potenciais bombistas já estarem lá dentro, nos pavilhões internacionais, a beber copos uns com os outros e a divertirem-se.
A Festa do Avante é sempre maior do que se pensa. Está muito bem arrumada ao ponto de permitir deambulações e descobertas alegres. Ao admirar a grandiosidade das avenidas e dos quarteirões de restaurantes, representando o país inteiro e os PALOP, é difícil não pensar numa versão democrática da Exposição do Mundo Português, expurgada de pompa e de artifício. E de salazarismo, claro.
Assim se chega a outro preconceito conveniente. Dava-nos jeito que a festa do PCP fosse partidária, sectária e ideologicamente estrangeirada. Na verdade, não podia ser mais portuguesa e saudavelmente nacionalista.
O desaparecimento da União Soviética foi, deste ponto de vista, particularmente infeliz por ter eliminado a potência cujas ordens eram cegamente obedecidas pelo PCP.
Sem a orientação e o financiamento de Moscovo, o PCP deveria ter também fenecido e finado. Mas não: ei-lo. Grande chatice.
Quer se queira quer não (eu não queria), sente-se na Festa do Avante que está ali uma reserva ecológica de Portugal. Se por acaso falharem os modelos vigentes, poderemos ir buscar as sementes e os enxertos para começar tudo o que é Portugal outra vez.
A teimosia comunista é culturalmente valiosa porque é a nossa própria cultura que é teimosa. A diferença às modas e às tendências dos comunistas não é uma atitude: é um dos resultados daquela persistência dos nossos hábitos. Não é uma defesa ideológica: é uma prática que reforça e eterniza só por ser praticada. (Fiquemos por aqui que já estou a escrever à comunista).
A Exposição do Mundo Português era “para inglês ver”, mas a Festa do Avante em muitos aspectos importantes, parece mesmo inglesa. Para mais, inglesa no sentido irreal. As bichas, direitinhas e céleres, não podiam ser menos portuguesas. Nem tão-pouco a maneira como cada pessoa limpa a mesa antes de se levantar, deixando-a impecável.
As brigadas de limpeza por sua vez, estão sempre a passar, recolhendo e substituindo os sacos do lixo. Para uma festa daquele tamanho, com tanta gente a divertir-se, a sujidade é quase nenhuma. É maravilhoso ver o resultado de tanto civismo individual e de tanta competência administrativa. Raios os partam.
Se a Festa do Avante dá uma pequena ideia de como seria Portugal se mandassem os comunistas, confessemos que não seria nada mau. A coisa está tão bem organizada que não se vê. Passa-se o mesmo com os seguranças - atentos mas invisíveis e deslizantes, sem interromper nem intimidar uma mosca.
O preconceito anticomunista dá-os como disciplinados e regimentados – se calhar, estamos a confundi-los com a Mocidade portuguesa. Não são nada disso. A Festa funciona para que eles não tenham de funcionar. Ao contrário de tantos festivais apolíticos, não há pressa; a ansiedade da diversão; o cumprimento de rotinas obrigatórias; a preocupação com a aparência. Há até, sem se sentir ameaçado por tudo o que se passa à volta, um saudável tédio, de piquenique depois de uma barrigada, à espera da ocupação do sono.
Quando se fala na capacidade de “mobilização” do PCP pretende-se criar a impressão de que os militantes são autómatos que acorrem a cada toque de sineta. Como falsa noção, é até das mais tranquilizadoras. Para os partidos menos mobilizadores, diante do fiasco das suas festas, consola pensar que os comunistas foram submetidos a uma lavagem ao cérebro.
Nem vale a pena indagar acerca da marca do champô.
Enquanto os outros partidos puxam dos bolsos para oferecer concertos de borla, a que assistem apenas familiares e transeuntes, a Festa do Avante enche-se de entusiásticos pagadores de bilhetes.
E porquê? Porque é a festa de todos eles. Eles não só querem lá estar como gostam de lá estar. Não há a distinção entre “nós” dirigentes e “eles” militantes, que impera nos outros partidos. Há um tu-cá-tu-lá quase de festa de finalistas.
É um alívio a falta de entusiasmo fabricado – e, num sentido geral de esforço. Não há consensos propostos ou unanimidades às quais aderir. Uns queixam-se de que já não é o que era e que dantes era melhor; outros que nunca foi tão bom.
É claro que nada disto será novidade para quem lá vai. Parece óbvio. Mas para quem gosta de dar uma sacudidela aos preconceitos anticomunistas é um exercício de higiene mental.
Por muito que custe dize-lo, o preconceito - base, dos mais ligeiros snobismos e sectarismos ao mais feroz racismo, anda sempre à volta da noção de que “eles não são como nós”. É muito conveniente esta separação. Mas é tão ténue que basta uma pequena aproximação para perceber, de repente, que “afinal eles são como nós”.
Uma vez passada a tristeza pelo desaparecimento da justificação da nossa superioridade (e a vergonha por ter sido tão simples), sente-se de novo respeito pela cabeça de cada um.
Espero que não se ofendam os sportinguistas e comunistas quando eu disser que estar na Festa do Avante foi como assistir à festa de rua quando o Sporting ganhou o campeonato. Até aí eu tinha a ideia, como sábio benfiquista, que os sportinguistas eram uma minúscula agremiação de queques em que um dos requisitos fundamentais era não gostar muito de futebol.
Quando vi as multidões de sportinguistas a festejar – de todas as classes, cores e qualidades de camisolas -, fiquei tão espantado que ainda levei uns minutos a ficar profundamente deprimido.
Por outro lado, quando se vê que os comunistas não fazem o favor de corresponder à conveniência instantaneamente arrumável das nossas expectativas – nem o PCP é o IKEA -, a primeira reacção é de canseira. Como quem diz: ”Que chatice – não só não são iguais ao que eu pensava como são todos diferentes. Vou ter de avaliá-los um a um. Estou tramado. Nunca mais saio daqui.”
Nem tão pouco há a consolação ilusória do 'pick and choose'.
... É uma sólida tradição dizer que temos de aprender com os comunistas... Infelizmente é impossível. Ser-se comunista é uma coisa inteira e não se pode estar a partir aos bocados. A força dos comunistas não é o sonho nem a saudade: é o dia-a-dia; é o trabalho; é o ir fazendo; e resistindo, nas festas como nas lutas.
Há uma frase do Jerónimo de Sousa no comício de encerramento que diz tudo. A propósito de Cuba (que não está a atravessar um período particularmente feliz), diz que “resistir já é vencer”.
É verdade – sobretudo se dermos a devida importância ao “já”. Aquele “já” é o contrário da pressa, mas é também “agora”.
Na Festa do Avante não se vêem comunistas desiludidos ou frustrados. Nem tão pouco delirantemente esperançosos. A verdade é que se sente a consciência de que as coisas, por muito más que estejam, poderiam estar piores. Se não fossem os comunistas: eles.
Há um contentamento que é próprio dos resistentes. Dos que existem apesar de a maioria os considerar ultrapassados, anacrónicos, extintos. Há um prazer na teimosia; em ser como se é. Para mais, a embirração dos comunistas, comparada com as dos outros partidos, é clássica e imbatível: a pobreza. De Portugal e de metade do mundo, num Portugal e num mundo onde uns poucos têm muito mais do que alguma vez poderiam precisar.
Na Festa do Avante sente-se a satisfação de chatear. O PCP chateia. Os sindicatos chateiam. A dimensão e o êxito da Festa chateiam. Põem em causa as desculpas correntes da apatia. Do 'ensimesmamento' online, do relativismo ou niilismo ideológico. Chatear é uma forma especialmente eficaz de resistir. Pode ser miudinho – mas, sendo constante, faz a diferença.
Resistir é já vencer. A Festa do Avante é uma vitória anualmente renovada e ampliada dessa resistência. ... Verdade se diga, já não é sem dificuldade que resisto. Quando se despe um preconceito, o que é que se veste em vez dele? Resta-me apenas a independência de espírito para exprimir a única reacção inteligente a mais uma Festa do Avante: dar os parabéns a quem a fez e mais outros a quem lá esteve. Isto é, no caso pouco provável de não serem as mesmíssimas pessoas.
Parabéns!"
MIGUEL ESTEVES CARDOSO - Revista 'SÁBADO'

E depois deste texto não há mais nada a dizer, excepto que espero lá voltar este ano e levar o puto à sua primeira Festa.

Amores

Os amores deviam ser ser sempre assim...coloridos e perfeitos.