Quando ela começou a falar saí da sala.
[Apenas reparei que tinha o cabelo lavado, ao contrário de domingo quando pingava óleo.]
Não a quis ouvir como também não quero ir ao médico para que me
comunique que tenho um cancro terminal. É o mesmo principio: evitar a
morte.
Não me apetece ser masoquista (e não é só para agradar ao senhor
presidente desta Republica) é mesmo só porque acho que estou no limite
da pobreza que aguento.
Em janeiro logo se verá! Se houver janeiro.
Nota: - Já sabem que nunca escrevo P.S. pela conotação política - os
meus sonhos andam povoados de bombas, explosões, sangue, revoltas... eu
sei que ando a ler Ken Follett mas não sei se segundo a interpretação
Freudiana a causa será única.
16 de outubro de 2013
20 de setembro de 2013
#fartadacrise#
Estou exausta de tanto elogio à pobreza.
Sem vergonha, assumo que tenho muitas saudades da minha vida pequeno burguesa.
Ser classe média (muito média) e manter os gostos de uma vida inteira ....é tão difícil!
Sem vergonha, assumo que tenho muitas saudades da minha vida pequeno burguesa.
Ser classe média (muito média) e manter os gostos de uma vida inteira ....é tão difícil!
19 de setembro de 2013
#porqueadiscriminaçãomeirrita#
Qualquer mulher que se preze cancela de imediato o seu seguro OK!. Aqui está um mau exemplo de discriminação. Estúpidos.
17 de setembro de 2013
#porquesim#
Porque alguém [muito querido] me perguntou por ele.
Porque tenho saudades.
Porque as palavras nunca estão acabadas.
Porque chegou setembro.
Porque sim!
# porquejátenhosaudadesde blogar#porqueestetextoestábrilhante#
Não confio na minha geração nem para se governar a si própria. E temo pela que se segue.
Filhos do 25 de Abril
26/04/2013 | 00:02 | Dinheiro Vivo
A geração que fez o 25 de Abril era filha do outro regime. Era filha da ditadura, da falta de liberdade, da pobre e permanente austeridade e da 4.ª classe antiga.
Tinha crescido na contenção, na disciplina, na poupança e a saber (os que à escola tinham acesso) Português e Matemática.
A minha geração era adolescente no 25 de Abril, o que sendo bom para a adolescência foi mau para a geração.
Enquanto os mais velhos conheceram dois mundos – os que hoje são avós e saem à rua para comemorar ou ficam em casa a maldizer o dia em que lhes aconteceu uma revolução – nós nascemos logo num mundo de farra e de festa, num mundo de sexo, drogas e rock & roll, num mundo de aulas sem faltas e de hooliganismo juvenil em tudo semelhante ao das claques futebolísticas mas sob cores ideológicas e partidárias. O hedonismo foi-nos decretado como filosofia ainda não tínhamos nem barba nem mamas.
A grande descoberta da minha geração foi a opinião: a opinião como princípio e fim de tudo. Não a informação, o saber, os factos, os números. Não o fazer, o construir, o trabalhar, o ajudar. A opinião foi o deus da minha geração. Veio com a liberdade, e ainda bem, mas foi entregue por decreto a adolescentes e logo misturada com laxismo, falta de disciplina, irresponsabilidade e passagens administrativas.
Eu acho que minha geração é a geração do “eu acho”. É a que tem controlado o poder desde Durão Barroso. É a geração deste primeiro-ministro, deste ministro das Finanças e do anterior primeiro-ministro. E dos principais directores dos media. E do Bloco de Esquerda e do CDS. E dos empresários do parecer – que não do fazer.
É uma geração que apenas teve sonhos de desfrute ao contrário da outra que sonhou com a liberdade, o desenvolvimento e a cidadania. É uma geração sem biblioteca, nem sala de aula mas com muita RGA e café. É uma geração de amigos e conhecidos e compinchas e companheiros de copos e de praia. É a geração da adolescência sem fim. Eu sei do que falo porque faço parte desta geração.
Uma geração feita para as artes, para a escrita, para a conversa, para a música e para a viagem. É uma geração de diletantes, de amadores e amantes. Foi feita para ser nova para sempre e por isso esgotou-se quando a juventude acabou. Deu bons músicos, bons actores, bons desportistas, bons artistas. E drogaditos. Mas não deu nenhum bom político, nem nenhum grande empresário. Talvez porque o hedonismo e a diletância, coisas boas para a escrita e para as artes, não sejam os melhores valores para actividades que necessitam disciplina, trabalho, cultura e honestidade; valores, de algum modo, pouco pertinentes durante aqueles anos de festa.
Eu não confio na minha geração nem para se governar a ela própria quanto mais para governar o país. O pior é que temo pela que se segue. Uma geração que tem mais gente formada, mais gente educada mas que tem como exemplos paternos Durão Barroso, Santana Lopes, José Sócrates, Passos Coelho, António J. Seguro, João Semedo e companhia. A geração que aí vem teve-nos como professores. Vai ser preciso um milagre. Ou então teremos que ressuscitar os velhos. Um milagre, lá está.
Pedro Bidarra
Publicitário, psicossociólogo e autor
Escreve à sexta-feira
Escreve de acordo com a antiga ortografia
Filhos do 25 de Abril
26/04/2013 | 00:02 | Dinheiro Vivo
A geração que fez o 25 de Abril era filha do outro regime. Era filha da ditadura, da falta de liberdade, da pobre e permanente austeridade e da 4.ª classe antiga.
Tinha crescido na contenção, na disciplina, na poupança e a saber (os que à escola tinham acesso) Português e Matemática.
A minha geração era adolescente no 25 de Abril, o que sendo bom para a adolescência foi mau para a geração.
Enquanto os mais velhos conheceram dois mundos – os que hoje são avós e saem à rua para comemorar ou ficam em casa a maldizer o dia em que lhes aconteceu uma revolução – nós nascemos logo num mundo de farra e de festa, num mundo de sexo, drogas e rock & roll, num mundo de aulas sem faltas e de hooliganismo juvenil em tudo semelhante ao das claques futebolísticas mas sob cores ideológicas e partidárias. O hedonismo foi-nos decretado como filosofia ainda não tínhamos nem barba nem mamas.
A grande descoberta da minha geração foi a opinião: a opinião como princípio e fim de tudo. Não a informação, o saber, os factos, os números. Não o fazer, o construir, o trabalhar, o ajudar. A opinião foi o deus da minha geração. Veio com a liberdade, e ainda bem, mas foi entregue por decreto a adolescentes e logo misturada com laxismo, falta de disciplina, irresponsabilidade e passagens administrativas.
Eu acho que minha geração é a geração do “eu acho”. É a que tem controlado o poder desde Durão Barroso. É a geração deste primeiro-ministro, deste ministro das Finanças e do anterior primeiro-ministro. E dos principais directores dos media. E do Bloco de Esquerda e do CDS. E dos empresários do parecer – que não do fazer.
É uma geração que apenas teve sonhos de desfrute ao contrário da outra que sonhou com a liberdade, o desenvolvimento e a cidadania. É uma geração sem biblioteca, nem sala de aula mas com muita RGA e café. É uma geração de amigos e conhecidos e compinchas e companheiros de copos e de praia. É a geração da adolescência sem fim. Eu sei do que falo porque faço parte desta geração.
Uma geração feita para as artes, para a escrita, para a conversa, para a música e para a viagem. É uma geração de diletantes, de amadores e amantes. Foi feita para ser nova para sempre e por isso esgotou-se quando a juventude acabou. Deu bons músicos, bons actores, bons desportistas, bons artistas. E drogaditos. Mas não deu nenhum bom político, nem nenhum grande empresário. Talvez porque o hedonismo e a diletância, coisas boas para a escrita e para as artes, não sejam os melhores valores para actividades que necessitam disciplina, trabalho, cultura e honestidade; valores, de algum modo, pouco pertinentes durante aqueles anos de festa.
Eu não confio na minha geração nem para se governar a ela própria quanto mais para governar o país. O pior é que temo pela que se segue. Uma geração que tem mais gente formada, mais gente educada mas que tem como exemplos paternos Durão Barroso, Santana Lopes, José Sócrates, Passos Coelho, António J. Seguro, João Semedo e companhia. A geração que aí vem teve-nos como professores. Vai ser preciso um milagre. Ou então teremos que ressuscitar os velhos. Um milagre, lá está.
Pedro Bidarra
Publicitário, psicossociólogo e autor
Escreve à sexta-feira
Escreve de acordo com a antiga ortografia
26 de abril de 2013
22 de abril de 2013
4 de abril de 2013
Post-it
Depois do escândalo Jèrôme Cahuzac, em França, há muito pouco a dizer sobre as pessoas que fazem política.
Enquanto ontem assistia, ainda assim, incrédula, às imagens da sua negação veemente da provada verdade, não pude deixar de me questionar sobre o momento X em que uma pessoa abandona a sua ética em troca de milhões e continua a mentir e a negar a provada evidência.
Será que a mim me aconteceria o mesmo se estivesse naquelas circunstâncias?
Ou será que a todos estes senhores/senhoras faltou um avô, como o meu, para quem a ética era a única lei da vida, absolutamente, incontornável?
Enquanto ontem assistia, ainda assim, incrédula, às imagens da sua negação veemente da provada verdade, não pude deixar de me questionar sobre o momento X em que uma pessoa abandona a sua ética em troca de milhões e continua a mentir e a negar a provada evidência.
Será que a mim me aconteceria o mesmo se estivesse naquelas circunstâncias?
Ou será que a todos estes senhores/senhoras faltou um avô, como o meu, para quem a ética era a única lei da vida, absolutamente, incontornável?
20 de março de 2013
19 de março
Fico sempre enternecida quando os vejo, aos dois, entre legos e
ferramentas a sério.
E também, quando enfiam a cabeça no aquário a discutir espécies de peixes e micoses, quando mexem na terra dos vasos de terraço ou quando adormecem juntos no sofá a ver futebol.
E até mesmo, quando ficam os dois a bater o pé na porta das lojas de roupa onde entro (e não consigo comprar nada com tanta pressão).
Adoro vê-los juntos.
Tão iguais e tão diferentes, como só pai e filho podem ser.
E comovo-me.
E orgulho-me de mim, porque consegui dar ao meu filho um pai.
O pai que não tive.
E também, quando enfiam a cabeça no aquário a discutir espécies de peixes e micoses, quando mexem na terra dos vasos de terraço ou quando adormecem juntos no sofá a ver futebol.
E até mesmo, quando ficam os dois a bater o pé na porta das lojas de roupa onde entro (e não consigo comprar nada com tanta pressão).
Adoro vê-los juntos.
Tão iguais e tão diferentes, como só pai e filho podem ser.
E comovo-me.
E orgulho-me de mim, porque consegui dar ao meu filho um pai.
O pai que não tive.
A Fé dos Homens
Francisco é fé e esperança para
muitos.
Eu, tenho acompanhado com o
distanciamento necessário, de quem não nasceu com o dom da fé (e foi a Roma e
não pisou convictamente solo da cidade do Vaticano), esta euforia [de vontade]
de mudança de uma igreja milenar.
Anuncia-se que Francisco as fará no seu comportamento e nas suas palavras.
Vejo, no entanto, as imagens do
seu entronizamento, e duvido!
A homilia é sobre pobres, como fica bem. Mas as
mulheres mais poderosas do mundo continuam de negro e de cabelos cobertos
perante uma religião que teme reconhecer que nas mulheres subjaz o poder primordial
[nelas está o princípio de todo o ser].
Aguardo os próximos episódios.
Gostaria muito mais, que fossem de mudança: em relação ao divórcio, ao casamento
entre pessoas do mesmo sexo, ao papel da mulher na igreja e no mundo, aos
contracetivos, ao fim do celibato obrigatório dos padres católicos, ao
reconhecimento do preservativo como meio de prevenção das DST, do que de Francisco num
banho de sangue.
Mas temo que o segundo cenário seja mais provável
que o primeiro.
Temo.
11 de março de 2013
Pensar 1...(ainda não é taxado!)
Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às
estatísticas
esquecendo que a sociedade é feita de pessoas.
Recentemente, ficámos a saber, através do primeiro estudo
epidemiológico nacional de Saúde Mental, que Portugal é o país da
Europa com a maior prevalência de doenças mentais na população. No
último ano, um em cada cinco portugueses sofreu de uma doença
psiquiátrica (23%) e quase metade (43%) já teve uma destas
perturbações durante a vida.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque assisto com
impotência a uma sociedade perturbada e doente em que violência,
urdida nos jogos e na televisão, faz parte da ração diária das
crianças e adolescentes. Neste redil de insanidade, vejo jovens
infantilizados incapazes de construírem um projecto de vida, escravos
dos seus insaciáveis desejos e adulados por pais que satisfazem todos
os seus caprichos, expiando uma culpa muitas vezes imaginária. Na
escola, estes jovens adquiriram um estatuto de semideus, pois todos
terão de fazer um esforço sobrenatural para lhes imprimirem a vontade
de adquirir conhecimentos, ainda que estes não o desejem. É natural
que assim seja, dado que a actual sociedade os inebria de direitos,
criando-lhes a ilusão absurda de que podem ser mestres de si próprios.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque, nos últimos quinze
anos, o divórcio quintuplicou, alcançando 60 divórcios por cada 100
casamentos (dados de 2008). As crises conjugais são também um reflexo
das crises sociais. Se não houver vínculos estáveis entre seres
humanos não existe uma sociedade forte, capaz de criar empresas
sólidas e fomentar a prosperidade. Enquanto o legislador se entretém
maquinalmente a produzir leis que entronizam o divórcio sem culpa,
deparo-me com mulheres compungidas, reféns do estado de alma dos
ex-cônjuges para lhes garantirem o pagamento da miserável pensão de
alimentos.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque se torna cada vez
mais difícil, para quem tem filhos, conciliar o trabalho e a família.
Nas empresas, os directores insanos consideram que a presença
prolongada no trabalho é sinónimo de maior compromisso e
produtividade. Portanto é fácil perceber que, para quem perde cerca de
três horas nas deslocações diárias entre o trabalho, a escola e a
casa, seja difícil ter tempo para os filhos. Recordo o rosto de uma
mãe marejado de lágrimas e com o coração dilacerado por andar tão
cansada que quase se tornou impossível brincar com o seu filho de três
anos.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque a taxa de
desemprego em Portugal afecta mais de meio milhão de cidadãos. Tenho
presenciado muitos casos de homens e mulheres que, humilhados pela
falta de trabalho, se sentem rendidos e impotentes perante a maldição
da pobreza. Observo as suas mãos, calejadas pelo trabalho manual,
tornadas inúteis, segurando um papel encardido da Segurança Social.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque é difícil aceitar
que alguém sobreviva dignamente com pouco mais de 600 euros por mês,
enquanto outros, sem mérito e trabalho, se dedicam impunemente à
actividade da pilhagem do erário público. Fito com assombro e
complacência os olhos de revolta daqueles que estão cansados de
escutar repetidamente que é necessário fazer mais sacrifícios quando
já há muito foram dizimados pela praga da miséria.
Finalmente, interessa-me a saúde mental de alguns portugueses com
responsabilidades governativas porque se dedicam obsessivamente aos
números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de
pessoas. Entretanto, com a sua displicência e inépcia, construíram um
mecanismo oleado que vai inexoravelmente triturando as mentes sãs de
um povo, criando condições sociais que favorecem uma decadência
neuronal colectiva, multiplicando, deste modo, as doenças mentais.
E hesito em prescrever antidepressivos e ansiolíticos a quem tem o
estômago vazio e a cabeça cheia de promessas de uma justiça que se
há-de concretizar; e luto contra o demónio do desespero, mas sinto uma
inquietação culposa diante destes rostos que me visitam diariamente.
Pedro Afonso
Médico Psiquiatra
In Público
esquecendo que a sociedade é feita de pessoas.
Recentemente, ficámos a saber, através do primeiro estudo
epidemiológico nacional de Saúde Mental, que Portugal é o país da
Europa com a maior prevalência de doenças mentais na população. No
último ano, um em cada cinco portugueses sofreu de uma doença
psiquiátrica (23%) e quase metade (43%) já teve uma destas
perturbações durante a vida.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque assisto com
impotência a uma sociedade perturbada e doente em que violência,
urdida nos jogos e na televisão, faz parte da ração diária das
crianças e adolescentes. Neste redil de insanidade, vejo jovens
infantilizados incapazes de construírem um projecto de vida, escravos
dos seus insaciáveis desejos e adulados por pais que satisfazem todos
os seus caprichos, expiando uma culpa muitas vezes imaginária. Na
escola, estes jovens adquiriram um estatuto de semideus, pois todos
terão de fazer um esforço sobrenatural para lhes imprimirem a vontade
de adquirir conhecimentos, ainda que estes não o desejem. É natural
que assim seja, dado que a actual sociedade os inebria de direitos,
criando-lhes a ilusão absurda de que podem ser mestres de si próprios.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque, nos últimos quinze
anos, o divórcio quintuplicou, alcançando 60 divórcios por cada 100
casamentos (dados de 2008). As crises conjugais são também um reflexo
das crises sociais. Se não houver vínculos estáveis entre seres
humanos não existe uma sociedade forte, capaz de criar empresas
sólidas e fomentar a prosperidade. Enquanto o legislador se entretém
maquinalmente a produzir leis que entronizam o divórcio sem culpa,
deparo-me com mulheres compungidas, reféns do estado de alma dos
ex-cônjuges para lhes garantirem o pagamento da miserável pensão de
alimentos.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque se torna cada vez
mais difícil, para quem tem filhos, conciliar o trabalho e a família.
Nas empresas, os directores insanos consideram que a presença
prolongada no trabalho é sinónimo de maior compromisso e
produtividade. Portanto é fácil perceber que, para quem perde cerca de
três horas nas deslocações diárias entre o trabalho, a escola e a
casa, seja difícil ter tempo para os filhos. Recordo o rosto de uma
mãe marejado de lágrimas e com o coração dilacerado por andar tão
cansada que quase se tornou impossível brincar com o seu filho de três
anos.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque a taxa de
desemprego em Portugal afecta mais de meio milhão de cidadãos. Tenho
presenciado muitos casos de homens e mulheres que, humilhados pela
falta de trabalho, se sentem rendidos e impotentes perante a maldição
da pobreza. Observo as suas mãos, calejadas pelo trabalho manual,
tornadas inúteis, segurando um papel encardido da Segurança Social.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque é difícil aceitar
que alguém sobreviva dignamente com pouco mais de 600 euros por mês,
enquanto outros, sem mérito e trabalho, se dedicam impunemente à
actividade da pilhagem do erário público. Fito com assombro e
complacência os olhos de revolta daqueles que estão cansados de
escutar repetidamente que é necessário fazer mais sacrifícios quando
já há muito foram dizimados pela praga da miséria.
Finalmente, interessa-me a saúde mental de alguns portugueses com
responsabilidades governativas porque se dedicam obsessivamente aos
números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de
pessoas. Entretanto, com a sua displicência e inépcia, construíram um
mecanismo oleado que vai inexoravelmente triturando as mentes sãs de
um povo, criando condições sociais que favorecem uma decadência
neuronal colectiva, multiplicando, deste modo, as doenças mentais.
E hesito em prescrever antidepressivos e ansiolíticos a quem tem o
estômago vazio e a cabeça cheia de promessas de uma justiça que se
há-de concretizar; e luto contra o demónio do desespero, mas sinto uma
inquietação culposa diante destes rostos que me visitam diariamente.
Pedro Afonso
Médico Psiquiatra
7 de março de 2013
desaparecer
que campanha fantasticamente brutal!
mas nunca tão brutal quando a realidade vivida.
Perder um filho é de fato deixar de existir.
mas nunca tão brutal quando a realidade vivida.
Perder um filho é de fato deixar de existir.
Hugo

empatizo com gente que tem sentido de humor
sempre admirei pessoas de convicções (ainda que discutíveis)
por isso acompanhava, com interesse, o Hugo desde a sua chegada ao poder.
transparecia nele uma infantilidade imberbe ao acreditar na força da revolução,
nos seus longos discursos (alguns absolutamente hilariantes) havia a convicção do menino que quer ser um Zorro, ainda que depois o homem e os desvarios do poder pudessem contradizer a inocência primordial dos seus ideais.
como homem que era, adoeceu e morreu.
como personagem que foi permanecerá um mito.
será para sempre um fazedor da revolução (qualquer que ela seja)
março
Março é o mês da dieta.
O mês em que se troca qualquer comida por uma folha de alface e um copo de água.
As férias, o bikini, a praia, as farras com os amigos, a vida boa... anunciam-se.
Mas este março 2013 é traidor...
É impossível não mergulhar num chocolate quente, num pão de Deus, numa feijoada, em tortas de Azeitão... com este frio, esta chuva e esta depressão coletiva.
Para quê emagrecer se não se vislumbra o verão?
O mês em que se troca qualquer comida por uma folha de alface e um copo de água.
As férias, o bikini, a praia, as farras com os amigos, a vida boa... anunciam-se.
Mas este março 2013 é traidor...
É impossível não mergulhar num chocolate quente, num pão de Deus, numa feijoada, em tortas de Azeitão... com este frio, esta chuva e esta depressão coletiva.
Para quê emagrecer se não se vislumbra o verão?
20 de fevereiro de 2013
O [grande] escândalo
Parece que foram de férias para a praia. (quem pode, pode e eu também lá estaria de bom gosto).
A jovem orgulhosa da sua gravidez exibe-a, e muito bem, que está com um corpo fantástico.
O neto da rainha de Inglaterra e a sua mulher são figuras públicas e sabem que, naturalmente, são perseguidos pela imprensa.
Ora, no meio de tanta normalidade onde está o escândalo? O que choca os britânicos? A natural gravidez? as óbvias fotos? ou a jovem que orgulhosa exibe o seu corpo impecável?
Que estranho é aquele povo!
14 de fevereiro de 2013
No dia do amor...
Faz hoje 9 anos que eu e o pai [e toda a equipa que estava no bloco] te escolhemos o nome no preciso instante em que te pousaram sobre o meu colo.
Faz hoje 9 anos que todos os médicos da sala ficaram à espera que o pai desmaiasse e ele, em vez disso, fez a mais bonita reportagem fotográfica da sua vida.
Faz hoje 9 anos que senti que toda a responsabilidade do mundo me tinha caído em cima
Faz hoje 9 anos que me
apaixonei por ti!
[e o dia de São Valentim se
tornou apenas o dia de te comemorar!]
29 de janeiro de 2013
falácias
Ontem numa reunião do colégio do meu filho um pedagogo referia no meio da sua palestra: “…os pais são a sua (dos filho) inspiração, o seu exemplo, a sua verdade”…
Fiquei presa naquela frase…acho que já não ouvi mais nada…
27 de janeiro de 2013
experiências
há dias em que fingimos ser outra pessoa. não por obrigação ou necessidade mas por pura curiosidade,

de viver outras vidas, tal qual um ator que representa um papel.
hoje tentei ser uma pessoa que sabe cozinhar.
hum…não correu bem.
este não é o meu papel.
por mais que tente!
14 de janeiro de 2013
Desejos para 2013
A Pepa quer comprar uma carteira Chanel em 2013...
Pois eu, quero beber litros e litros de bling. É muito mais caro e muito mais saudável :)
Também gostava muito de me aposentar...
Volto já! Tenho que ir falar com a Ana Teresa Vicente.
8 de janeiro de 2013
Igualdade Ministerial
Os jornais falam da gravidez de Assunção, desenham cenários, avaliam os custos e potencias estratégias a adotar pelo Governo.
Mas o que há de estranho no fato de uma mulher em idade fértil estar grávida?
Não consigo perceber ...
Só porque a Assunção, por acaso, trabalha como ministra, é razão para tanta confusão?
Quantos homens, enquanto trabalharam como ministros, foram pais? Algum deu noticia de jornal?
É fácil falar, em teoria, em igualdade de oportunidade e em parentalidade partilhada, não é?
Mas a prática, senhores, a prática... é outra coisa...
Mas o que há de estranho no fato de uma mulher em idade fértil estar grávida?
Não consigo perceber ...
Só porque a Assunção, por acaso, trabalha como ministra, é razão para tanta confusão?
Quantos homens, enquanto trabalharam como ministros, foram pais? Algum deu noticia de jornal?
É fácil falar, em teoria, em igualdade de oportunidade e em parentalidade partilhada, não é?
Mas a prática, senhores, a prática... é outra coisa...
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coisas que me irritam
4 de janeiro de 2013
Também posso?
Gérard Depardieu recebe cidadania russa em apenas duas semanas
Por PÚBLICO
Oiço comentários indignados. Discute-se esta coisa da pátria, do sangue, da nação.
Encolho os ombros e passo à frente.
Confesso que não entendo esta obrigação de amar um chão que alguém há muito conquistou para daí usufruir de glórias e riquezas.
Pessoalmente não tenho qualquer amor especial ao país onde nasci. O hino não me comove, o conceito de pátria é-me indiferente, o orgulho de ser de portuguesa nunca me ocorreu. Não vibro com o fado, nem com a selecção nacional e também não gosto de pastéis de nata...
E de repente achei interessante esta ideia: apenas nascemos acidentalmente num território (que no meu caso nem é dos melhores) devemos pois poder consequentemente escolher aquela que nos interessa.
Não deveria então poder pedir para ser de um outro país? Sobretudo um onde pague menos impostos? (que isto está a ficar mesmo muito mau, não chega ainda aos 75% mas está quase nos 50%!) Pena não ter uma grande fortuna ( lá voltamos ao nasci no país errado e já agora na família errada) seria tudo tão mais fácil! Por outro lado também não queria ser Russa...
Vou ali olhar para o planisfério e já volto...
Vou ali olhar para o planisfério e já volto...
3 de janeiro de 2013
2 de janeiro de 2013
2013
chegou.... em pontas, para não me acordar...
eu, calei o choro e fingi que dormia para não ter sequer que o cumprimentar...
eu, calei o choro e fingi que dormia para não ter sequer que o cumprimentar...
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